Seguem obras do vestibular PUC/PR/2014 para estudo!
INOCÊNCIA
Para ler a obra na íntegra, click em um dos links abaixo:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000002.pdf
http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/ViscondedeTaunay-Inocncia1.pdf
INOCÊNCIA
O AUTOR
Visconde de Taunay, o escritor Alfredo d’Escragnolle Taunay nasceu em 22/02/1843, no Rio de Janeiro e faleceu em 25/01/1899.
Visconde de Taunay, o escritor Alfredo d’Escragnolle Taunay nasceu em 22/02/1843, no Rio de Janeiro e faleceu em 25/01/1899.
Ele
foi um nobre escritor, além de músico, artista plástico, professor, engenheiro
militar, político, historiador e sociólogo brasileiro.
Taunay
aproveitou-se de sua condição de homem viajado para produzir obras que
oferecessem um panorama mais realista do interior do Brasil. Com isso, seguia a
prática romântica de valorização da cor local, mas sob um registro mais
objetivo e verossímil.
A OBRA
Inocência
é um romance regionalista brasileiro dividido em 30 capítulos - que são
introduzidos por uma citação - mais um epílogo.
Foi
publicado em 1872 e retrata costumes, pessoas e ambientes do leste
sul-matogrossense (sertão), notadamente a cidade de Paranaíba e a frente
colonizadora dos Garcia Leal.
Taunay foi um dos principais escritores do regionalismo romântico.
Taunay foi um dos principais escritores do regionalismo romântico.
Do
Romantismo, assimilou a atmosfera lírica (amorosa), presente em Inocência.
Do
regionalismo, a tendência a registrar os costumes locais.
TEMÁTICA
Amor e morte
Razão e emoção
Sofrimento
Simplicidade
Contradições
Amor impossível
Honra
Amor e morte
Razão e emoção
Sofrimento
Simplicidade
Contradições
Amor impossível
Honra
ESTILO
Inocência
é considerado um livro do regionalismo porque valoriza os costumes típicos do
mundo rural e as particularidades do meio natural.
A hospitalidade que o sertanejo dá aos viajantes que pedem pousada, a preservação de honra que precisa assegurar a família, o casamento como acordo entre famílias, o analfabetismo, o comportamento vingativo, a crendice e os juramentos à santos.
Apenas podemos conhecer esse regionalismo através dos sertanejos Pereira e sua filha Inocência, mas isso não basta: Taunay introduziu dois personagens no enredo que não faziam parte desse ambiente, ou seja, Cirino e Meyer, e é por meio de ambos que os leitores irão compreender a família do sertão.
Sob outro aspecto, os enredos secundários do livro são considerados quase todos como realistas e, embora ele possua um enredo ultra-romântico, os personagens Cirino e Inocência nos são apresentados de forma mais humana do que os outros personagens dos livros românticos da época de Taunay. Podemos concluir que Taunay combinou o discurso romântico com o realista e, com isso, produziu um estilo raro na literatura brasileira, engendrando na obra elementos típicos de todas as histórias de amor e também elementos que descrevem a fala e o ambiente de uma região (no caso, o sertão do Brasil).
A hospitalidade que o sertanejo dá aos viajantes que pedem pousada, a preservação de honra que precisa assegurar a família, o casamento como acordo entre famílias, o analfabetismo, o comportamento vingativo, a crendice e os juramentos à santos.
Apenas podemos conhecer esse regionalismo através dos sertanejos Pereira e sua filha Inocência, mas isso não basta: Taunay introduziu dois personagens no enredo que não faziam parte desse ambiente, ou seja, Cirino e Meyer, e é por meio de ambos que os leitores irão compreender a família do sertão.
Sob outro aspecto, os enredos secundários do livro são considerados quase todos como realistas e, embora ele possua um enredo ultra-romântico, os personagens Cirino e Inocência nos são apresentados de forma mais humana do que os outros personagens dos livros românticos da época de Taunay. Podemos concluir que Taunay combinou o discurso romântico com o realista e, com isso, produziu um estilo raro na literatura brasileira, engendrando na obra elementos típicos de todas as histórias de amor e também elementos que descrevem a fala e o ambiente de uma região (no caso, o sertão do Brasil).
ESTRUTURA DRAMÁTICA
Em
Inocência, Taunay caminha pela comédia, pelo drama e pelo romance. O personagem
Meyer, naturalista alemão, às vezes é descrito como uma pessoa que tem grandes
conhecimentos científicos, mas que pouco sabe da estreiteza moral do mundo que
vive e é considerado um dos protagonistas mais cômicos da ficção brasileira do
século XIX quando comete algumas trapalhadas.
Mas, de fato, o drama se estabelece com o assassinato de Cirino que acaba formando um fim trágico onde a protagonista definha em amargura, solidão e tristeza e morre numa caracterização típica do romantismo. Ao mesmo tempo, o encontro amoroso, os conflitos familiares e o fim trágico em Inocência também são vistos como aventura.
Mas, de fato, o drama se estabelece com o assassinato de Cirino que acaba formando um fim trágico onde a protagonista definha em amargura, solidão e tristeza e morre numa caracterização típica do romantismo. Ao mesmo tempo, o encontro amoroso, os conflitos familiares e o fim trágico em Inocência também são vistos como aventura.
TEMPO
O dia 15
de Julho de 1860 e o dia 18 de Agosto de 1863 são as únicas datas do romance. A
primeira data diz respeito ao dia em que Pereira encontrou-se com Cirino, e a
segunda data diz respeito ao dia em que Meyer, já no final do romance, está na
Alemanha e apresenta à comunidade científica do país a descoberta da
PapilioInnocentia.
Após o noticiário, é apresentada a "voz" do narrador, de onde é possível concluir que os acontecimentos em Inocência ocorrem em um período de três anos, entre 1860 e 1861, enquanto que os dois anos que se seguiram constituem um espaço vazio.
Após o noticiário, é apresentada a "voz" do narrador, de onde é possível concluir que os acontecimentos em Inocência ocorrem em um período de três anos, entre 1860 e 1861, enquanto que os dois anos que se seguiram constituem um espaço vazio.
ESPAÇO
O espaço em Inocência é muito claro: sertão do Mato Grosso. Segundo o narrador, na região onde "confinam os territórios de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso", na "parte sul-oriental da vastíssima província de Mato Grosso".
O espaço em Inocência é muito claro: sertão do Mato Grosso. Segundo o narrador, na região onde "confinam os territórios de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso", na "parte sul-oriental da vastíssima província de Mato Grosso".
LINGUAGEM E NARRADOR
Onisciente e Onipresente. Apresenta um único ponto de vista para focalizar os costumes e os valores sociais do ambiente.
Foco Narrativo: 3ª pessoa.
Apesar da narrativa em 3ª pessoa, a exemplo do estilo machadiano, o narrador também mantém um contato direto com o leitor. O narrador expressa opiniões pessoais sobre os fatos e situações que está narrando.
Também há distorções fonéticas que são produto de confusões entre o português e o alemão e o francês, como é possível observar no personagem Meyer, que chama seu assistente de Juque em vez de Juca, e Juca o chama de Mochu, que nada mais é do que uma corruptela da palavra monsieur, que vem da França. O personagem Pereira, por sua vez, chama Meyer de Maia confundindo seu nome e, ao invés de dizer corretamente o local de nascimento do naturalista (que é a Saxônia) ele a reproduz como "saco-sonha":
“—Saco-sonha!, exclamou Pereira. Não conheço... Mas, então lá muita gente há de andar a morrer de fome...”
Onisciente e Onipresente. Apresenta um único ponto de vista para focalizar os costumes e os valores sociais do ambiente.
Foco Narrativo: 3ª pessoa.
Apesar da narrativa em 3ª pessoa, a exemplo do estilo machadiano, o narrador também mantém um contato direto com o leitor. O narrador expressa opiniões pessoais sobre os fatos e situações que está narrando.
Também há distorções fonéticas que são produto de confusões entre o português e o alemão e o francês, como é possível observar no personagem Meyer, que chama seu assistente de Juque em vez de Juca, e Juca o chama de Mochu, que nada mais é do que uma corruptela da palavra monsieur, que vem da França. O personagem Pereira, por sua vez, chama Meyer de Maia confundindo seu nome e, ao invés de dizer corretamente o local de nascimento do naturalista (que é a Saxônia) ele a reproduz como "saco-sonha":
“—Saco-sonha!, exclamou Pereira. Não conheço... Mas, então lá muita gente há de andar a morrer de fome...”
O
ROMANTISMO
Idealização:
A
estética romântica apresenta entre seus traços mais importantes a tendência à
idealização, ao livre desenrolar da fantasia e da imaginação.
O regionalismo romântico funciona quase como uma transição para o realismo, estética da qual antecipa o gosto pela observação da realidade.
O regionalismo romântico funciona quase como uma transição para o realismo, estética da qual antecipa o gosto pela observação da realidade.
Como
o Romantismo estava em decadência na época em que a obra foi escrita, pode-se
considerá-la de transição para o Naturalismo, devido a uma grande e infalível
caracterização do homem como produto do meio, isto é, ele age de acordo com o
tipo de vida que leva.
PERSONAGENS
INOCÊNCIA:
Protagonista: moça simples, carinhosa,
meiga e bela, moradora de zona sertaneja. É disputada por
Cirino
e Manecão, além de despertar o interesse do cientista Meyer.
Ela está
prometida a se casar com um homem escolhido pelo pai (Manecão), embora seja
apaixonada por Cirino.
Antagonista: Tico, figura que
lembra o Quasímodo de Victor Hugo, é um anão mudo que vigia Inocência e relata
a Pereira seu romance com Cirino.
CIRINO: Jovem farmacêutico que, em viagem pelo sertão, conhece Inocência e se apaixona por ela. É assassinado por Manecão, a quem a moça foi prometida. Cirino, apesar de bom caráter, passa-se por médico ao utilizar os seus conhecimentos farmacêuticos para ajudar a curar as doenças dos moradores.
CIRINO: Jovem farmacêutico que, em viagem pelo sertão, conhece Inocência e se apaixona por ela. É assassinado por Manecão, a quem a moça foi prometida. Cirino, apesar de bom caráter, passa-se por médico ao utilizar os seus conhecimentos farmacêuticos para ajudar a curar as doenças dos moradores.
MANECÃO: Noivo de Inocência,
é um negociante de gado que, viajando, arrumava os papéis do seu casamento
arranjado com Inocência. Na disputa pelo amor da moça, assassina Cirino.
PEREIRA: Pai de Inocência,
zeloso do compromisso de honra assumido com Manecão, a quem prometera entregar
a filha em casamento. Pereira é um homem de comportamento rude e autoritário,
conservador de costumes os quais utiliza para impor a moral de uma sociedade
patriarcal.
MEYER: É um cientista alemão, pesquisador de
borboletas que também se interessa por Inocência. Meyer embarca no Brasil para
conhecer novas espécies de insetos, hospeda-se na casa de Pereira porque trazia
consigo uma carta de Chiquinho, irmão de Pereira. O cientista desperta
insegurança no anfitrião quando elogia Inocência.
OUTROS:
Maria Conga, criada.
Antônio Cesário, padrinho de Inocência que tenta ajudá-la em seu romance com Cirino.
Francisco dos Santos Pereira (Chiquinho), irmão mais velho de Pereira que envia uma carta a ele através de Meyer.
Maria Conga, criada.
Antônio Cesário, padrinho de Inocência que tenta ajudá-la em seu romance com Cirino.
Francisco dos Santos Pereira (Chiquinho), irmão mais velho de Pereira que envia uma carta a ele através de Meyer.
RESUMO DA OBRA
Cirino,
jovem farmacêutico, em viagem de trabalho pelo sertão, hospeda-se na casa de um
homem que conhecera no caminho, o Sr. Pereira, sertanejo rude e que educa a
filha Inocência no rigor tradicional.
Ali,
conhece Inocência, filha de Pereira, por quem se apaixona. O conflito é gerado
porque Inocência está prometida pelo pai a Manecão, rude trabalhador sertanejo,
logo Cirino terá de enfrentar alguns obstáculos.
Estando
a moça prometida em casamento a Manecão, Pereira se mostra bastante zeloso da
palavra empenhada, exercendo forte vigilância sobre o farmacêutico.
Para
auxiliá-lo nesse trabalho, conta com a ajuda do negro Tico, anão mudo que se
torna a sombra de Inocência.
Chega
ao lugar o cientista alemão Meyer, estudioso de borboletas, trazendo boas
indicações do irmão de Pereira.
A
admiração do estrangeiro pela beleza de Inocência transforma a receptividade
inicial do dono da casa em antipatia mal disfarçada.
Em
respeito ao irmão, Pereira trata o estrangeiro com educação.
Cirino,
de sua parte, nutre certo ciúme, desconfiado das intenções do cientista.
Meyer
nada percebe, mantendo-se concentrado em suas pesquisas e parte assim que
termina o trabalho.
Cirino
e Inocência declaram-se um ao outro. Prevendo a resistência do pai, a moça
sugere que o amado visite seu padrinho, Antônio Cesário, que mora em uma cidade
próxima.
A
jovem acredita que o padrinho pode ajudar a convencer o pai a romper o
compromisso com Manecão.
Cirino
parte, alegando que a viagem é para comprar medicamentos. O moço conquista a
simpatia de Cesário, que se compromete a ajudar o casal de apaixonados.
O
problema é que Pereira descobre o plano e ordena que Pereira vá ao encontro de
Cirino.
Por
fim, antes que Cirino chegue à casa de Pereira para contar sobre a aprovação do
casamento de ambos para Pereira, Cirino e Manecão se encontram no trajeto, e
Manecão assassina Cirino.
Meyer
retorna à cena e homenageia Inocência.
ANÁLISE DA OBRA
Lado
a lado com o lirismo, que predomina nos trechos em que se narra o drama amoroso
que serve de fio condutor ao romance, há a exatidão descritiva e o registro
linguístico regional. O romance Inocência ainda possui traços românticos
bastante fortes. Como ocorre em várias narrativas típicas da estética, o casal
de apaixonados enfrenta obstáculos para a realização de suas aspirações
sentimentais.
A presença da natureza, funcionando
como moldura para a ação e mesmo como eco das sensações experimentadas pelas
personagens, era igualmente explorada pelos escritores do período. Deve-se
considerar ainda o moralismo e certo tom de aconselhamento assumido vez ou
outra pelo narrador. Mesmo o registro de costumes não era estranho ao
romantismo, servia à estratégia de exploração da cor local, isto é, das
características próprias de uma dada região.
No entanto, o romance de Taunay
apresenta uma visão mais realista do que a média das obras românticas. O tipo
do sertanejo, por exemplo, é construído de forma menos idealizadora, sendo
mostrado como briguento e dado a vícios, como o do jogo. Além disso, o narrador
assume uma postura francamente crítica diante de certos hábitos sertanejos,
como o casamento por juramento, o paternalismo excessivo, o descaso para com as
ciências e a condição feminina inferiorizada. Pode-se dizer que Inocência foi
vítima da ignorância de Pereira e escrava de um pacto de honra em que ela
entrou como moeda de troca.
A relação entre Inocência e Cirino
encerra a dicotomia em que se fundamenta a narrativa: de um lado o quadro
campestre natural, representado pela moça, e, de outro, a ciência que ele
encarna em sua condição de farmacêutico. O herói constrói uma ponte entre esses
dois universos ao se utilizar de ervas locais para produzir seus remédios
caseiros.
O narrador é que não parece muito
disposto a cruzar essa ponte. De fato, se as falas das personagens trazem
expressões locais pitorescas, demonstrando o esforço de registro linguístico, o
discurso narrativo se mantém distante dessa coloquialidade e bem postado em sua
condição de produto cultural erudito e elevado.
O final do romance retoma a dicotomia
natureza/civilização com a notícia da celebração da descoberta de Meyer.
Pode-se dizer que Inocência morre duas vezes. A primeira, vítima de sua própria
natureza de menina submissa ao pai e aos costumes atrasados do sertão, a
segunda como borboleta aprisionada e morta pela ciência, que a cataloga e
subtrai de seu habitat natural.
FILME: INOCÊNCIA
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