Páginas

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

PUC14 - INOCÊNCIA

Olá, terceiranistas!
Seguem obras do vestibular PUC/PR/2014 para estudo!

INOCÊNCIA
Para ler a obra na íntegra, click em um dos links abaixo:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000002.pdf


http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/ViscondedeTaunay-Inocncia1.pdf



INOCÊNCIA
O AUTOR
Visconde de Taunay, o escritor Alfredo d’Escragnolle Taunay nasceu em 22/02/1843, no Rio de Janeiro e faleceu em 25/01/1899.
Ele foi um nobre escritor, além de músico, artista plástico, professor, engenheiro militar, político, historiador e sociólogo brasileiro.
Taunay aproveitou-se de sua condição de homem viajado para produzir obras que oferecessem um panorama mais realista do interior do Brasil. Com isso, seguia a prática romântica de valorização da cor local, mas sob um registro mais objetivo e verossímil.

A OBRA
Inocência é um romance regionalista brasileiro dividido em 30 capítulos - que são introduzidos por uma citação - mais um epílogo.
Foi publicado em 1872 e retrata costumes, pessoas e ambientes do leste sul-matogrossense (sertão), notadamente a cidade de Paranaíba e a frente colonizadora dos Garcia Leal.
Taunay foi um dos principais escritores do regionalismo romântico.
Do Romantismo, assimilou a atmosfera lírica (amorosa), presente em Inocência.
Do regionalismo, a tendência a registrar os costumes locais.

TEMÁTICA
Amor e morte
Razão e emoção
Sofrimento
Simplicidade
Contradições
Amor impossível
Honra

ESTILO
Inocência é considerado um livro do regionalismo porque valoriza os costumes típicos do mundo rural e as particularidades do meio natural.
A hospitalidade que o sertanejo dá aos viajantes que pedem pousada, a preservação de honra que precisa assegurar a família, o casamento como acordo entre famílias, o analfabetismo, o comportamento vingativo, a crendice e os juramentos à santos.
Apenas podemos conhecer esse regionalismo através dos sertanejos Pereira e sua filha Inocência, mas isso não basta: Taunay introduziu dois personagens no enredo que não faziam parte desse ambiente, ou seja, Cirino e Meyer, e é por meio de ambos que os leitores irão compreender a família do sertão.
Sob outro aspecto, os enredos secundários do livro são considerados quase todos como realistas e, embora ele possua um enredo ultra-romântico, os personagens Cirino e Inocência nos são apresentados de forma mais humana do que os outros personagens dos livros românticos da época de Taunay. Podemos concluir que Taunay combinou o discurso romântico com o realista e, com isso, produziu um estilo raro na literatura brasileira, engendrando na obra elementos típicos de todas as histórias de amor e também elementos que descrevem a fala e o ambiente de uma região (no caso, o sertão do Brasil).

ESTRUTURA DRAMÁTICA
Em Inocência, Taunay caminha pela comédia, pelo drama e pelo romance. O personagem Meyer, naturalista alemão, às vezes é descrito como uma pessoa que tem grandes conhecimentos científicos, mas que pouco sabe da estreiteza moral do mundo que vive e é considerado um dos protagonistas mais cômicos da ficção brasileira do século XIX quando comete algumas trapalhadas.
Mas, de fato, o drama se estabelece com o assassinato de Cirino que acaba formando um fim trágico onde a protagonista definha em amargura, solidão e tristeza e morre numa caracterização típica do romantismo. Ao mesmo tempo, o encontro amoroso, os conflitos familiares e o fim trágico em Inocência também são vistos como aventura.

TEMPO
O dia 15 de Julho de 1860 e o dia 18 de Agosto de 1863 são as únicas datas do romance. A primeira data diz respeito ao dia em que Pereira encontrou-se com Cirino, e a segunda data diz respeito ao dia em que Meyer, já no final do romance, está na Alemanha e apresenta à comunidade científica do país a descoberta da PapilioInnocentia.
Após o noticiário, é apresentada a "voz" do narrador, de onde é possível concluir que os acontecimentos em Inocência ocorrem em um período de três anos, entre 1860 e 1861, enquanto que os dois anos que se seguiram constituem um espaço vazio.

ESPAÇO
O espaço em Inocência é muito claro: sertão do Mato Grosso. Segundo o narrador, na região onde "confinam os territórios de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso", na "parte sul-oriental da vastíssima província de Mato Grosso".

LINGUAGEM E NARRADOR
Onisciente e Onipresente. Apresenta um único ponto de vista para focalizar os costumes e os valores sociais do ambiente.
Foco Narrativo: 3ª pessoa.
Apesar da narrativa em 3ª pessoa, a exemplo do estilo machadiano, o narrador também mantém um contato direto com o leitor. O narrador expressa opiniões pessoais sobre os fatos e situações que está narrando.
Também há distorções fonéticas que são produto de confusões entre o português e o alemão e o francês, como é possível observar no personagem Meyer, que chama seu assistente de Juque em vez de Juca, e Juca o chama de Mochu, que nada mais é do que uma corruptela da palavra monsieur, que vem da França. O personagem Pereira, por sua vez, chama Meyer de Maia confundindo seu nome e, ao invés de dizer corretamente o local de nascimento do naturalista (que é a Saxônia) ele a reproduz como "saco-sonha":
“—Saco-sonha!, exclamou Pereira. Não conheço... Mas, então lá muita gente há de andar a morrer de fome...”

O ROMANTISMO
Idealização:
A estética romântica apresenta entre seus traços mais importantes a tendência à idealização, ao livre desenrolar da fantasia e da imaginação.
O regionalismo romântico funciona quase como uma transição para o realismo, estética da qual antecipa o gosto pela observação da realidade.
Como o Romantismo estava em decadência na época em que a obra foi escrita, pode-se considerá-la de transição para o Naturalismo, devido a uma grande e infalível caracterização do homem como produto do meio, isto é, ele age de acordo com o tipo de vida que leva.

PERSONAGENS

INOCÊNCIA:
Protagonista: moça simples, carinhosa, meiga e bela, moradora de zona sertaneja. É disputada por
Cirino e Manecão, além de despertar o interesse do cientista Meyer.
Ela está prometida a se casar com um homem escolhido pelo pai (Manecão), embora seja apaixonada por Cirino.

Antagonista: Tico, figura que lembra o Quasímodo de Victor Hugo, é um anão mudo que vigia Inocência e relata a Pereira seu romance com Cirino.

CIRINO: Jovem farmacêutico que, em viagem pelo sertão, conhece Inocência e se apaixona por ela. É assassinado por Manecão, a quem a moça foi prometida. Cirino, apesar de bom caráter, passa-se por médico ao utilizar os seus conhecimentos farmacêuticos para ajudar a curar as doenças dos moradores.

MANECÃO: Noivo de Inocência, é um negociante de gado que, viajando, arrumava os papéis do seu casamento arranjado com Inocência. Na disputa pelo amor da moça, assassina Cirino. 

PEREIRA: Pai de Inocência, zeloso do compromisso de honra assumido com Manecão, a quem prometera entregar a filha em casamento. Pereira é um homem de comportamento rude e autoritário, conservador de costumes os quais utiliza para impor a moral de uma sociedade patriarcal.

MEYER: É um cientista alemão, pesquisador de borboletas que também se interessa por Inocência. Meyer embarca no Brasil para conhecer novas espécies de insetos, hospeda-se na casa de Pereira porque trazia consigo uma carta de Chiquinho, irmão de Pereira. O cientista desperta insegurança no anfitrião quando elogia Inocência.

OUTROS:
Maria Conga, criada.
Antônio Cesário, padrinho de Inocência que tenta ajudá-la em seu romance com Cirino.
Francisco dos Santos Pereira (Chiquinho), irmão mais velho de Pereira que envia uma carta a ele através de Meyer.

RESUMO DA OBRA
Cirino, jovem farmacêutico, em viagem de trabalho pelo sertão, hospeda-se na casa de um homem que conhecera no caminho, o Sr. Pereira, sertanejo rude e que educa a filha Inocência no rigor tradicional.
Ali, conhece Inocência, filha de Pereira, por quem se apaixona. O conflito é gerado porque Inocência está prometida pelo pai a Manecão, rude trabalhador sertanejo, logo Cirino terá de enfrentar alguns obstáculos.
Estando a moça prometida em casamento a Manecão, Pereira se mostra bastante zeloso da palavra empenhada, exercendo forte vigilância sobre o farmacêutico.
Para auxiliá-lo nesse trabalho, conta com a ajuda do negro Tico, anão mudo que se torna a sombra de Inocência.
Chega ao lugar o cientista alemão Meyer, estudioso de borboletas, trazendo boas indicações do irmão de Pereira.
A admiração do estrangeiro pela beleza de Inocência transforma a receptividade inicial do dono da casa em antipatia mal disfarçada.
Em respeito ao irmão, Pereira trata o estrangeiro com educação.
Cirino, de sua parte, nutre certo ciúme, desconfiado das intenções do cientista.
Meyer nada percebe, mantendo-se concentrado em suas pesquisas e parte assim que termina o trabalho. 
Cirino e Inocência declaram-se um ao outro. Prevendo a resistência do pai, a moça sugere que o amado visite seu padrinho, Antônio Cesário, que mora em uma cidade próxima.
A jovem acredita que o padrinho pode ajudar a convencer o pai a romper o compromisso com Manecão.
Cirino parte, alegando que a viagem é para comprar medicamentos. O moço conquista a simpatia de Cesário, que se compromete a ajudar o casal de apaixonados.
O problema é que Pereira descobre o plano e ordena que Pereira vá ao encontro de Cirino.
Por fim, antes que Cirino chegue à casa de Pereira para contar sobre a aprovação do casamento de ambos para Pereira, Cirino e Manecão se encontram no trajeto, e Manecão assassina Cirino.
Meyer retorna à cena e homenageia Inocência.
 
ANÁLISE DA OBRA
Lado a lado com o lirismo, que predomina nos trechos em que se narra o drama amoroso que serve de fio condutor ao romance, há a exatidão descritiva e o registro linguístico regional. O romance Inocência ainda possui traços românticos bastante fortes. Como ocorre em várias narrativas típicas da estética, o casal de apaixonados enfrenta obstáculos para a realização de suas aspirações sentimentais. 
A presença da natureza, funcionando como moldura para a ação e mesmo como eco das sensações experimentadas pelas personagens, era igualmente explorada pelos escritores do período. Deve-se considerar ainda o moralismo e certo tom de aconselhamento assumido vez ou outra pelo narrador. Mesmo o registro de costumes não era estranho ao romantismo, servia à estratégia de exploração da cor local, isto é, das características próprias de uma dada região.
No entanto, o romance de Taunay apresenta uma visão mais realista do que a média das obras românticas. O tipo do sertanejo, por exemplo, é construído de forma menos idealizadora, sendo mostrado como briguento e dado a vícios, como o do jogo. Além disso, o narrador assume uma postura francamente crítica diante de certos hábitos sertanejos, como o casamento por juramento, o paternalismo excessivo, o descaso para com as ciências e a condição feminina inferiorizada. Pode-se dizer que Inocência foi vítima da ignorância de Pereira e escrava de um pacto de honra em que ela entrou como moeda de troca.
A relação entre Inocência e Cirino encerra a dicotomia em que se fundamenta a narrativa: de um lado o quadro campestre natural, representado pela moça, e, de outro, a ciência que ele encarna em sua condição de farmacêutico. O herói constrói uma ponte entre esses dois universos ao se utilizar de ervas locais para produzir seus remédios caseiros.
O narrador é que não parece muito disposto a cruzar essa ponte. De fato, se as falas das personagens trazem expressões locais pitorescas, demonstrando o esforço de registro linguístico, o discurso narrativo se mantém distante dessa coloquialidade e bem postado em sua condição de produto cultural erudito e elevado.
O final do romance retoma a dicotomia natureza/civilização com a notícia da celebração da descoberta de Meyer. Pode-se dizer que Inocência morre duas vezes. A primeira, vítima de sua própria natureza de menina submissa ao pai e aos costumes atrasados do sertão, a segunda como borboleta aprisionada e morta pela ciência, que a cataloga e subtrai de seu habitat natural.

FILME: INOCÊNCIA


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.