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quarta-feira, 25 de maio de 2016

CEP/16 RESUMO/RESENHA


Olá, turmas!
Segue abaixo explicações sobre o gênero Resumo e Resenha. 

Leia e Observe a diferença entre ambos.

Depois, leia o resumo, a resenha e mais abaixo, o texto "Cem Anos de Perdão", da autora Clarice Lispector, na sua íntegra.

 RESUMO

O resumo é uma síntese, uma redução do texto original, um relato que gera em torno dos fatos principais de um texto. Se narrativo, importante é destacar o narrador, os personagens principais e as ações que motivaram o escritor, não se esquecendo do uso do tempo no passado, do espaço onde as ações ocorreram, ou seja: o quê, com quem, onde, quando, como, causas e consequências; se dissertativo, os fatos centrais e o que os justifica. É importante pensar no uso da estrutura da prosa, a marcação exata do recuo de parágrafo, o uso adequado das margens esquerda e direita, da separação silábica na margem direita, na legibilidade da letra, ou seja, o uso adequado do código escrito. O autor do resumo deve estar isento no texto, para isso, deve fazer uso da 3ª. Pessoa e não expressar sua opinião nem emitir juízo de valor sobre o texto original. Escreva algo entre 8 e 10 linhas. Lembre-se de citar, logo no início, o nome da obra, e do autor.

Exemplo: Resumo
Cem Anos de Perdão

O conto Cem Anos de Perdão, de Clarice Lispector narra as aventuras vividas durante a adolescência da protagonista, cujo nome não é identificado na obra. A menina conta que, quando criança, e morando em Recife, saía a passeio junto com uma amiguinha pelas ruas,  espaço onde lhes chamava a atenção os jardins dos palácios que encontravam e cuja beleza as duas admiravam. Um dia, a protagonista, ao se encantar por uma rosa solitária, não teve dúvidas, entrou, e enquanto a amiga vigiava, ela apanhou a rosa para si, ação que se repetirá  no futuro, pois além de rosas, ela passou a roubar também pitangas, as quais, dizia ela, estavam pedindo para serem colhidas. Ao final, ela diz que nunca ninguém soube e que não se arrepende do seu ato dizendo inclusive que ladrão de rosas e pitangas tem cem anos de perdão.
LISPECTOR, Clarice.
 
 
RESENHA

       Na resenha,  siga as instruções quanto à elaboração do resumo, pois a resenha, igualmente ao resumo, também é uma síntese. A diferença é que neste texto, o autor deverá expressar sua opinião emitindo juízo de valor, e no caso de resenhas de filmes, obras literárias, peças teatrais, e outros eventos, é possível aconselhar o interlocutor, fazendo uma crítica pessoal quanto à qualidade da obra. Ainda que seja possível a opinião, é importante o uso da 3ª. Pessoa, ou corre-se o risco de exagerar na falta de impessoalidade. Quanto ao número de linhas, escreva entre 8 a 10 linhas.

Exemplo: Resenha
Cem Anos de Perdão

O conto Cem Anos de Perdão, de Clarice Lispector narra, de forma belíssima e poética, as aventuras vividas durante a adolescência da protagonista, cujo nome não é identificado na obra. A menina conta que, quando criança, e morando em Recife, saía com uma amiguinha a passeio pelas ruas, espaço onde lhes chamava a atenção, os jardins dos palácios que encontravam, e cuja beleza as duas admiravam. Um dia, a protagonista se encantou por uma rosa solitária num belo jardim. Não teve dúvidas, entrou, e enquanto a amiguinha vigiava, ela apanhou a rosa para si, sensação de puro prazer por ter para si aquilo que tanto desejava. Depois, disso, esta ação se tornou um hábito, que a levou, no futuro, a roubar também pitangas, as quais, dizia ela, estavam pedindo para serem colhidas. Ao final ela diz que nunca ninguém soube e que não se arrepende do seu ato dizendo inclusive que ladrão de rosas e pitangas tem cem anos de perdão. No conto, é possível perceber a emoção gerada pela expectativa da menina em ser surpreendida, característica do espírito desafiador de todo adolescente.
LISPECTOR, Clarice.

Obra na íntegra:
Cem Anos de Perdão





Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.
Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. "Aquele branco é meu." "Não, eu já disse que os brancos são meus." Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.
Começou assim. Numa dessas brincadeiras de "essa casa é minha", paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores.
Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém.
 As janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.
Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente, cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei friamente com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel: vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro, vigiar os transeuntes raros na rua.
Enquanto isso, entreabri lentamente o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um século de coração batendo.
Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque de perto ela é ainda mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o talo, arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.
E, de repente - ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto, passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa, corremos literalmente para longe da casa.
O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.
Levei-a para casa, coloquei-a num copo d'água, onde ficou soberana, de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá. No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia vermelho.
Foi tão bom. Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com aquela glória que ninguém me tirava.
Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja.
Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma.
Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensanguentados. Colhia várias que ia comendo ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.
Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.
LISPECTOR, Clarice

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