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domingo, 29 de maio de 2016

CEP/16 TERCEIRA FASE MODERNISMO



Olá, terceiranistas!

Segundo Bimestre – Literatura
Formar grupos, elaborar um Mapa Conceitual de acordo com a fase literária escolhida pelo grupo e apresentar escrita em cartaz/paine/banner e oralmente em data agendada. 
Valor: 1,5.

TERCEIRA FASE – MODERNISMO 

CARACTERISTICAS
Volta ao ritmo clássico tradicional
Métrica regular
Rima regular
Preocupação universalista
Valorização da palavra

AUTORES

POETAS
João Cabral de Melo Neto
Ledo Ivo (poesia heremística)

PROSADORES
João Guimarães Rosa
Clarice Lispector
José Jacinto Veiga
José Cândido de Carvalho
Adonias Filho
Dalton Trevisan (Curitiba, Paraná)
Mário Palmério
Autran Dourado

AUTORES E OBRAS

JOÃO CABRAL DE MELO NETTO


MORTE E VIDA SEVERINA
Fragmento
“O meu nome é Severino
Não tenho outro de pia
(...)
Somos muitos severinos
Iguais em tudo na vida:
Na mesma cabeça grande
Que a custa é que se equilibra
(...)
 E se somos severinos
Iguais em tudo na vida
Morremos de morte igual
Mesma morte Severina:
Que a morte de que se morre
De velhice antes dos trinta
De emboscada antes dos vinte,
De fome um pouco por dia.
SEVERINO: retirante, que ao fugir da seca, encontra outros severinos.

                                                          João Cabral de Melo Neto
Clique no link para acessar a obra na íntegra:


CLARICE LISPECTOR

Romances:
Perto do Coração Selvagem (1943);
O Lustre (1946)
A Cidade Sitiada (1949)
A Maçã no Escuro (1961)
A Paixão segundo G.H. (1964)
Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres (1969)
Água Viva (1973)
Um Sopro de Vida - Pulsações (1978)


A Hora da Estrela
 Resumo
Para quem está acostumado com resumos tradicionais, não é fácil fazer a síntese de A Hora da Estrela. Isso porque, aparentemente, nada acontece. Logo nas primeiras linhas, o que se percebe é a presença de um autor – o escritor Rodrigo S. M. – às voltas com certos impasses de sua carreira, tentando dar início à narrativa da história da nordestina Macabéa em sua vida cotidiana no Rio de Janeiro. 
Rodrigo S. M. declara: “Pensar é um ato. Sentir é um fato” – e essas frases podem ser entendidas como uma apresentação da obra. De fato, as reflexões e os sentimentos registrados pelo escritor constituem parte da narrativa. Portanto, se o leitor espera algo acontecer para começar a fazer a sua síntese do romance, é bom se apressar, porque a história já começou.
Macabéa é introduzida aos poucos na narrativa, sobressaindo-se das reflexões de Rodrigo S. M. Ele se depara com ela em uma rua do Rio de Janeiro, quando, por intermédio de uma simples troca de olhares, a história da moça lhe é revelada. Alagoana, Macabéa perde os pais ainda muito criança e é criada por uma tia, que, no intuito de educá-la, dá-lhe constantes pancadas da cabeça com os nós dos dedos. Frequenta escola apenas até o terceiro ano primário e escreve muito mal. Mesmo assim, consegue levar adiante um curso de datilografia. 
A tia muda-se para o Rio de Janeiro e Macabéa a acompanha. Arranja emprego como datilógrafa. Depois da morte da mãe de criação, passa a dividir um quarto de pensão com quatro moças que trabalham como balconistas. Pouco convive com elas, que chegam muito cansadas à noite e dormem logo, enquanto Macabéa fica ouvindo a Rádio Relógio ao longo das madrugadas.
Certo dia, resolve faltar ao trabalho e sair para um passeio. Encontra-se então com Olímpico de Jesus, metalúrgico nordestino. Ele a chama de “senhorinha” e a convida para um passeio. Para ela, é o começo de um namoro. Em suas conversas, ela exibe,  sempre de forma precária, o conhecimento adquirido com as audições da Rádio Relógio, enquanto ele afirma sua disposição de crescer e ser alguém na vida. 
Em uma visita a Macabéa no local de trabalho, Olímpico conhece Glória, colega da namorada. Interessa-se por ela e abandona Macabéa. Sem ter exata noção do quanto isso a faz sofrer, Macabéa recolhe-se ao banheiro do escritório e passa com força o batom vermelho nos lábios, para se sentir uma estrela de cinema.
Constrangida por lhe roubar o namorado, Glória dá dinheiro a Macabéa e aconselha que ela procure uma cartomante. Macabéa acata a ideia e vai até Madama Carlota, que lhe prevê um futuro brilhante e o encontro próximo de um grande amor. Ao sair da cartomante, Macabéa morre atropelada. Os transeuntes se reúnem em torno dela, que se torna, pela primeira e última vez na vida, o centro das atenções. Como uma estrela de cinema.

Contexto
Sobre a autor a
Quando Clarice Lispector surgiu no cenário cultural brasileiro, em 1944, com o romance Perto do coração selvagem, foi saudada como uma revelação das letras brasileiras. Causou certo espanto a descoberta de que a autora que escrevia como uma mulher madura era, na verdade, ainda bastante jovem. Essas circunstâncias prenunciaram aquilo que o tempo confirmou: Clarice era especial. Até como escritora.
Importância do livro
O romance A Hora da Estrela foi escrito em 1977, mas aborda um tema tradicional de nossa literatura: o contato do imigrante nordestino com a cidade grande. Esse assunto carrega uma forte carga política. Isso causou certo espanto, porque Clarice Lispector era vista como uma escritora alienada, distante desse tipo de temática. Aqui, ela aborda a questão sem abandonar o psicologismo de suas obras, mostrando as limitações daqueles que criticavam sua suposta alienação.
Período Histórico
O fundo político das obras de Clarice nunca é óbvio. A Hora da Estrela, por exemplo, tem como pano de fundo o autoritarismo da sociedade brasileira no período da ditadura militar iniciada em 1964. No entanto, o tratamento do tema é sutil, mostra-se a interiorização da condição de oprimido e a reprodução da condição de opressor no plano das relações pessoais.

Análise
O romance apresenta três níveis narrativos distintos, embora complementares e interpenetrantes. Em um desse níveis, temos a história da própria narrativa. Ela é constituída pelas digressões do narrador, Rodrigo S. M., que desenvolve reflexões a respeito do fazer artístico. Para ele, pensar a respeito já é um fato, o que faz com que seus pensamentos adquiram a condição de acontecimentos na narrativa.
Em outro nível, temos a história do narrador. Sua identificação é restrita ao nome e às iniciais de seu sobrenome: Rodrigo S. M. (curiosamente, recurso parcialmente explorado por Clarice em A paixão segundo G. H., romance de 1964). O escritor manifesta as preocupações sociais que lhe são suscitadas pelo contato com os problemas da cidade grande. Mas o que o interessa, de fato, como escritor, é a possibilidade de registrar o momento efêmero, passageiro, volátil, aproximando-se, nesse sentido, da própria Clarice.
Rodrigo tenta combater a tendência de interromper sua narrativa para falar de si mesmo, mas percebe aos poucos que falar do outro é falar de si mesmo. Assim, a humildade extrema da nordestina Macabéa é uma transposição metonímica de seu próprio estilo: simples e sem espaço para sentimentalismo.
Por fim, temos a história de Macabéa. Seu nome, de origem bíblica, associa-se à força e à resistência, o que lhe dá uma configuração irônica, já que o comportamento da personagem mostra o avesso dessas características. Como muitas outras personagens femininas de Clarice, Macabéa é solitária e reflexiva. A novidade fica por conta de sua origem social humilde, distante da classe média em que figuram aquelas personagens. 
Na trajetória de Macabéa, ganha destaque a relação com os outros. O namorado, Olímpico de Jesus, possui um senso de superioridade que acaba por distanciá-lo de Macabéa, escapando de um relacionamento amoroso que se caracteriza pela precariedade de sentimentos e de expressões de afeto. Glória, a colega de trabalho de Macabéa, é o par perfeito para ele, manifestando seu orgulho próprio por intermédio de uma sensualidade explícita. 
O silêncio de Macabéa contrasta com o domínio da palavra manifestado por todos ao seu redor: Olímpico com seu discurso de vencedor, Glória com a certeza de seus atrativos sexuais e o próprio narrador Rodrigo S. M., em suas constantes intervenções metalinguísticas.
As previsões de Madama Carlota são outras tantas palavras que prenunciam um impossível fim das carências de Macabéa. Ao consultar a cartomante, a moça se sente “grávida de futuro”. Mas esse será seu limite: prestes a alguma coisa que talvez nunca viesse a se realizar, Macabéa encontra a morte ao ser atropelada por um automóvel. Vira centro das atenções e conhece a sua hora da estrela. De um lado, é tarde demais para ela; de outro, é sua única chance de viver essa experiência. Vive-a com o brilho intenso de uma estrela, mas também com a mesma fugacidade.
Fonte: http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/a-hora-da-estrela.html

OUTRAS OBRAS DE CLARICE
 
Novela:
A hora da estrela (1977)

Contos:
Alguns contos (1952)
Laços de família (1960)
A legião estrangeira (1964)
Felicidade clandestina (1971)
A imitação da rosa (1973)
A via crucis do corpo (1974)
Onde estivestes de noite? (1974)
A bela e a fera (1979)


Correspondência:
Cartas perto do coração (2001) -
Organização de Fernando Sabino
Correspondência - Clarice Lispector (2002) - Organização de Teresa Cristina M. Ferreira

Crônicas:

Visão do esplendor - Impressões leves  (1975)
Para não esquecer (1978) -
contos inicialmente publicados em Laços de família.
A descoberta do mundo (1984)

Entrevistas:
De corpo inteiro (1975)

Literatura  infantil:
 
O mistério do coelho pensante (1967) -
Escrito em inglês e traduzido por Clarice
A mulher que matou os peixes (1968)
A vida íntima de Laura (1974)
Quase de verdade (1978)
Como nasceram as estrelas (1987)


Antologias:
Seleta de Clarice Lispector (1975) -
Organização de Renato Cordeiro Gomes
Clarice Lispector (1981) -
Organização de Benjamin Abdala Jr. e Samira Y. Campedelli
O primeiro beijo & outros contos, de Clarice Lispector (1991)

Os melhores contos de Clarice Lispector (2001) -
Organização de Walnice N. Galvão
Aprendendo a viver (2004)

Livros publicados no exterior
Clarice Lispector
tem seus livros publicados em diversos países do mundo: Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Israel, Holanda, Inglaterra, Itália, Noruega, Polônia, Rússia, Suécia, República Tcheca e Turquia. Citamos alguns, a título de exemplo:

Die Passion nach G.H. (A paixão segundo G. H.) (1995), tradução de Pieer Sibast

La manzana en la obscuridad (A maçã no escuro) (1974), tradução de Juan García Gayo

L'heure de l'étoile (A hora da estrela) (1989), tradução de Marguerite Wünscher

Osher samuy (Felicidade clandestina) (2001), tradução de Mirian Tivon

The Foreign Legion (A legião estrangeira) (1986), tradução de Giovanni Pontiero

The Stream of Life (Água viva) (1989), tradução de Elizabeth Lowe e outros

Dove siete stati di notte (Onde estivestes de noite) (1994), tradução de Adelina Aletti

Zivá voda (Água viva) (2000), tradução de Pavla Lidmilová

Sobre a autora:
BORELLI, Olga. Clarice Lispector: Esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
BOSI, Alfredo. Clarice Lispector. In: História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989.
CASTELLO, José.  Clarice Lispector. In: O Inventário das Sombras. Rio de Janeiro: Editora Record, 1999.
FITZ, Earl Eugene. Sexuality and Being in the Poststructuralist Universe of Clarice Lispector - The Difference off Desire. Texas: University of Texas Press, 2001.
FREIXAS, Laura. Clarice Lispector. Coleção Vidas literárias. Barcelona: Omega, 2001.
GOTLIB, Nádia B. Clarice - uma vida que se conta. São Paulo: Ática, 1995.
GUIDIN, Márcia Lígia. A hora da estrela de Clarice Lispector. São Paulo: Ática, 1996. (Roteiro de Leitura).
LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco narrativo. São Paulo: Ática, 1985. (Série Princípios).
NOLASCO, Edgar Cézar. Clarice Lispector: nas entrelinhas da escritura. São Paulo: Annablume, 2001.
NOVELLO, Nicolino. O ato criador de Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Presença/MinC/Pró-Memória/INL, 1987.
PÉCAUT, Daniel. Os intelectuais e a política no Brasil. São Paulo: Ática, 1990.
ROSENBAUM, Yudith. Metamorfoses do mal: uma leitura de Clarice Lispector. São Paulo: Edusp, 1999.
VARIN, Claire. Línguas de fogo - Ensaio sobre Clarice Lispector. Tradução de Lúcia Peixoto Cherem, São Paulo: Limiar, 2002.
WALDMAN, Berta. Clarice Lispector - A paixão segundo C. L. São Paulo: Escuta, 1992.
Filmografia:
A hora da estrela (Brasil, 1985, 96min).

Direção: Suzana Amaral.
Elenco: Marcélia Cartaxo, José Dumont e Tamara Taxman.

O corpo (Brasil, 1991, 80 min).
Direção: José Antônio Garcia
Elenco: Antônio Fagundes, Marieta Severo, Cláudia Jimenez, Carla Camurati, Sérgio Mamberti e outros.

Chamada final (Brasil/Alemanha/China e EUA, 1994)
Direção: Ana Maria Magalhães
Elenco: Claudia Ohana, Guilherme Leme e outros.

Ruído de passos (Brasil, 1995 - curta-metragem)
Direção: Denise Tavares Gonçalves.

Clandestina felicidade (Brasil, 1998 - curta metragem que trata da infância da autora)
Direção: Beto Normal e Marcelo Gomes
Elenco: Luisa Phebo.

Macabéia (Brasil, 2000 -curta-metragem)
Direção de Erly VieiraJr., Lizandro Nunes e Virgínia Jorge.

Aeroporto em o embarque (Brasil, 2002 - curta-metragem)
direção: Nicole Algranti
Elenco: Marcélia Cartaxo.

O ovo (Brasil, 2003 - curta-metragem)
Direção: Nicole Algranti
Roteiro: Luiz Carlos Lacerda.

Televisão
Feliz Aniversário, Rede Globo, 1978
Especial Clarice Lispector - TV Cultura, 1999
A hora da estrela, Rede Globo, 2003

Teatro:
Perto do coração selvagem (1965)
Direção: Fauzi Arap
Elenco: Glauce Rocha, José Wilker e outros

Um sopro de vida (1979)
Direção: José Possi Neto
Elelnco: Marilena Ansaldi.

A hora da estrela (1984)
Direção: Naum Alves de Souza
Elenco: Maria Bethânia.

A paixão segundo G. H. (1989)
Direção: Cibele Forjaz
Elenco: Marilena Ansaldi.

A pecadora queimada e os anjos harmoniosos (1992)
Direção: José Antônio Garcia
Elenco: Sérgio Mambertti e outros.
A mulher que matou os peixes (1994)
Direção: Lúcia Coelho
Elenco: Zezé Polessa.

A mulher que matou os peixes (1998)
Adaptação de Adriane Azenha.

A hora da estrela (1998)
Direção: Roberto Vignatti
Elenco: Alexandra Tavares.

Que mistérios tem Clarice? (1998)
Direção: Luiz Arthur Nunes
Elenco: Rita Elmôr (monólogo)

Clarice - Coração selvagem (1998)
Direção: Maria Lucya de Lima
Elenco: Aracy Balabanian.

Quase de verdade (2001)
Direção: Ulisses Cohn
Elenco: Cia. Delas de Teatro

A hora da estrela (2001)
Direção: Marcus Vinicius Faustini
Elenco: Marcélia Cartaxo e outros.

A descoberta do mundo (2001)
Direção: Marco Antonio Rodrigues
Elenco: Cia. Delas de Teatro

A hora da estrela (2002)
Direção: Naum Alves de Souza
Elenco: Célia Borbes, Ester Lacava e Edgar Jordão.

A paixão segundo G. H. (2002)
Adaptação:Fauzi Arap.
Direção de Enrique Diaz
Elenco: Mariana Lima.

Amor - Uma ode ao universo feminino de Clarice Lispector (2002)
Adaptação: Marta Baião e Conceição Acioli.
Direção de Conceição Acioli.
Elenco: Marta Baião.

Água viva (2003)
Direção: Maria Pia Scognamiglio
Elenco: Susana Vieira.

Encontro com Clarice (2003)
Direção: Ítalo Rossi
Elenco: Ester Jablonski

Leituras (áudio)
Clarice Lispector - Áudio (1998)

Seleção de contos feita por Paulinho Lima. Interpretação de Aracy Balabanian; Luz da Cidade, coleção Poesia Falada.

Doze lendas brasileiras - Clarice Lispector (V. 1) (2000)
Idealização e produção de Paulinho Lima; Luz da Cidade.

Clarice Lispector - A mulher que matou os peixes (V. 4) (2000)
Idealização e produção de Paulinho Lima; Luz da Cidade.

A descoberta do mundo (2002)
Seleção de crônicas feita por Teresa Montero, interpretação de Aracy Balabanian; Luz da Cidade, Coleção Os cronistas.
La passion selon G. H. (sd)

Gravação de trechos do romance A paixão segundo G. H. pela atriz Anouk Aimée; Des Femmes, Paris.
Liens de famille (sd)

Gravação de contos do livro Laços de família por Chiara Mastroianni; Des Femmes, Paris.

Dados obtidos em livros da autora, sites da Internet, nos Cadernos de Literatura Brasileira - Instituto Moreira Salles, no "Inventário das Sombras" de José Castello e fornecidos por João Pires, amigo do Releituras.

GUIMARAES ROSA

Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa

“O Grande Sertão: Veredas”, publicado em 1956, é uma das obras mais emblemáticas do escritor brasileiro modernista João Guimarães Rosa e uma das mais importantes da literatura brasileira. Foi traduzida para muitas línguas e recebeu diversos prêmios, dos quais se destaca o Prêmio Machado de Assis, recebido em 1961.
Guimarães Rosa, o autor da obra, nasceu em Minas Gerais, foi médico, diplomata e escritor, sendo também um grande estudioso da cultura popular brasileira. Ele representa um dos mais proeminentes escritores da terceira fase modernista no Brasil.
Por meio de uma linguagem coloquial, regionalista e original, a história do romance acontece em Goiás e nos Sertões de Minas Gerais e Bahia e retrata as aventuras e peripécias do ex-jagunço Riobaldo e de seu grande amor: Diadorim.
Para saber mais sobre esse escritor modernista, acesse:  http://www.todamateria.com.br/guimaraes-rosa/
Biografia de Guimarães Rosa: http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp


Personagens
Os personagens que compõem a obra são:
  • Riobaldo: protagonista da obra, Riobaldo é o narrador-personagem, um velho fazendeiro, ex-jagunço.
  • Diadorim: O grande amor de Riobaldo, representa o amor platônico, impossível.
  • Nhorinhá: Uma prostituta, representa amor carnal de Riobaldo.
  • Otacília: Outro amor de Riobaldo, representa a pureza do amor verdadeiro.
  • Zé Bebelo: fazendeiro com pretensões políticas, pretende acabar com os jagunços do sertão mineiro, sobretudo com o bando de Joca Ramiro.
  • Joca Ramiro: pai de Diadorim, o maior chefe dos jagunços.
  • Medeiro Vaz: outro chefe dos jagunços, que lidera a vingança contra Hermógenes e Ricardão.
  • Hermógenes e Ricardão: assassinos do chefe Joca Ramiro, Hermógenes representa o líder dos jagunços inimigos.
  • Só Candelário: outro chefe dos jagunços, torna-se líder do bando de Hermógenes.
  • Compadre Quelemém de Góis: amigo confidente de Riobaldo.


Estrutura da Obra
O Grande Sertão Veredas é uma obra extensa com mais de 600 páginas, dividida em 2 volumes e não em capítulos.
Marcada pela oralidade e uma linguagem repleta de neologismos, arcaísmos e brasileirismos, a obra possui um enredo não-linear, ou seja, não segue uma sequência lógica dos fatos, sendo narrado em primeira pessoa (narrador-personagem), cujo narrador é Riobaldo, que faz reflexões sobre os acontecimentos de sua vida.
Para tanto, o tempo da narrativa é o psicológico, em detrimento do tempo cronológico.

Resumo da Obra
Riobaldo é o protagonista do romance, o personagem-narrador que apresenta um relato sobre sua vida, desde seus medos, amores, traições, dentre outros.
De tal maneira, Riobaldo faz uma autorreflexão sobre sua vida, ao descrever além dos acontecimentos, a paisagem do sertão, a um doutor que recentemente chegou na fazenda em que vive, a quem ele se refere como “Senhor” ou “Moço”.
Com a morte de sua mãe, Riobaldo passou a viver com seu padrinho, Selorico Mendes, na fazenda São Gregório.
Mais tarde, ele descobrirá que Selorico é seu verdadeiro pai.
Por conseguinte, na fazenda conhece o bando de jagunços de Joca Ramiro, o chefe dos jagunços. 
Mais adiante, conhece Reinaldo, jagunço do bando de Joca Ramiro, que mais trade revela ser Diadorim, seu grande amor.
Em suas digressões, Riobaldo foca sobretudo, no seu amor impossível, Diadorim, e na existência de Deus e do Diabo.

Riobaldo era um dos jagunços que percorriam o sertão abrindo o caminho à bala. Entre seus companheiros, havia um que muito lhe agradava: Reinaldo, ou Diadorim. Conhecera-o quando menino e mantinha com ele uma relação que muitas vezes passava de uma simples amizade. 
O jagunço, que admirava e cultivava um terno laço com Diadorim, perturbava-se com toda aquela relação, mas a alimentava com uma pureza que ia contra toda a rudeza do sertão, beirando inclusive o amor e os ciúmes.
Nas longas tramas e aventuras dos jagunços, Riobaldo conhece um dos seus heróis: o chefe Joca Ramiro, verdadeiro mito entre aqueles homens, que logo começa a mostrar certa confiança por ele. Isso dura pouco tempo, já que Riobaldo logo perde seu líder: Joca Ramiro acabou sendo traído e assassinado por um dos seus companheiros chamado Hermógenes. 
Riobaldo jura vingança e persegue Hermógenes e seus homens por toda aquela árida região. Como o medo da morte e uma curiosidade sobre a existência ou não do diabo toma cada vez mais conta da alma de Riobaldo, evidencia-se um pacto entre o jagunço e o príncipe das trevas, apesar de não explícito.
Acontecido ou não o tal pacto, o fato é que Riobaldo começa a mudar à medida que o combate final contra Hermógenes se aproxima. E a crescente raiva do jagunço só é contida por uma relação mais estreita com Diadorim, que já mostra marcas de amor completo.
Segue-se, então, o encontro com Hermógenes e seus homens, e a vingança é enfim saboreada por Riobaldo. Vingança, aliás, que se tornou amarga: Hermógenes mata, durante o combate, o grande amigo Diadorim...
A obra reserva, nas últimas páginas, uma surpreendente revelação: na hora de lavar o corpo de Diadorim, Riobaldo percebe que o velho amigo de aventuras que sempre lhe cativou de uma forma especial era, na verdade, uma mulher.

 Trechos da Obra
Para melhor compreender a linguagem desse clássico, segue abaixo algumas frases do romance de Guimarães Rosa:
   Riobaldo: 
- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente - depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucaia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde um criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda parte.
  • “O senhor não duvide - tem gente, nesse aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta...”
  • “Fui fogo, depois de ser cinza. Ah, algum, isto é que é, a gente tem de vassalar. Olhe: Deus come escondido, e o diabo sai por toda parte lambendo o prato...”
  • “O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam.”
  • “O diabo existe e não existe. Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...”
  • “Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor.”
  • “Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo.”
Fonte: http://www.todamateria.com.br/grande-sertao-veredas-de-guimaraes-rosa/



PÓS MODERNISMO E

LITERATURA CONTEMPORÂNEA

CONCRETISMO E POESIA – PRÁXIS (1956)


CARACTERÍSTICAS:
Libertação formal extremada
Decomposição da palavra
Poesia vebi-voco-visual
Representantes do Concretismo

Haroldo de Campos


Augusto de Campos


Acesse para mais informações sobre Augusto de Campos
http://www2.uol.com.br/augustodecampos/biografia.htmhttp://www2.uol.com.br/augustodecampos/biografia.htm

Décio Pignatari

Paulo Leminski

POESIA PRÁXIS: Mário Chamie



TEATRO
AUTORES
Ariano Suassuna
Obras:
Auto da Compadecida
O Santo e a Porca
A Pena e a Lei

Jorge de Andrade
Obras:
Os Ossos do Barão
A Moratória, A Escada

Gianfrancesco Guarnieri
Obras:
O Filho do cão
Eles não usam black-tie

Dias Gomes
Obras:
O Pagador de Promessas
O Santo Inquérito

Pedro Block
Obra:
As mãos de Eurídice

Plínio Marcos
Dois Perdidos numa noite suja
Navalha na Carne
Quando as Máquinas Param

Oduvaldo Viana Filho
Obras:
Chapetuba Futebol Clube
A longa noite de cristal
Corpo a Corpo
Rasga Coração

Nelson Rodrigues
Obras:
A Mulher sem pecado
Vestido de Noiva
Bonitinha mas ordinária
Álbum de Família

Chico Buarque de Holanda
Obras:
Roda Viva
Calabar
Gota d’água
Ópera do Malandro.

Augusto Boal
Obras:
Feira de Opinião
Arena Conta Tiradentes.

Jorge de Andrade
O Telescópio
A Moratória
Pedreira das Almas
Vereda da Salvação
A Escada
Os Ossos do Barão
A Senhora da Boca do Lixo
Rastro Atrás
As Confrarias
O Sumidouro

CRÍTICA
Afrânio Coutinho (Nova Crítica)
Antônio Cândido
Wilson Martins
Aderaldo Castelo
Eugênio Gomes

CRÔNICAS
Carlos Drummond de Andrade
Raquel de Queiros

Fernando Sabino
Natural de Belo Horizonte, ali nasceu em 1923. Além de cronista, é romancista e contista.

Obras
Encontro Marcado (romance)
O Grande Mentecapto ( romance escrito em duas épocas diferentes, com um intervalo de aproximadamente vinte anos.
O homem nu

Henrique Pongetti
Carlos Eduardo Novaes
Maria Raja Gabaglia

Rubem Braga
Obras
Um pé de feijão (1948)
O homem rouco (1949)
A borboleta amarela (1955)
A cidade e a roça (1957)
Ai de ti, Copacabana (1967)
A traição das elegantes (1967)

Paulo Mendes Campos
Nasceu em Belo Horizonte, em 1922.Ao lado de sua produção poética destacam-se as crônicas:
O cego de Ipanema (1960)
Homenzinho na Ventania (1962)
O colunista do morro (1965)
O anjo bêbado (1969)

Luís Fernando Veríssimo
Filho do escritor Érico Veríssimo, nasceu em Porto Alegre, em 1936. Iniciou suas atividades no Jornal Zero Hora, colabora com os mais importantes jornais do país, onde publica suas crônicas. Escritor de rara inteligência, seus textos caracterizam-se pela inventividade, pelo humor mordaz, pela agilidade verbal e intelectual. No ano de 1982, transformou-se no maior fenômeno de vendagem de livros do Brasil, com a obra: Analista de Bagé.
Obras:
Amor brasileiro
Ed-Mort e outras histórias
O Analista de Bagé

NARRATIVA CONTEMPORÂNEA

Autran Dourado
Waldomiro Freitas Autran Dourado, nasceu em 1926, em Patos, MG. É formado em Direito. Sua obra já foi traduzida para várias línguas. Evoluiu da memória e do sentimento para o mítico, o cósmico e o simbólico, mesmo parecendo regional.

Obras:
A barca dos homens (1961)
Ópera dos mortos (1970)
O risco do bordado  (1973)
Uma poética do romance (1973)
Os Sinos da agonia (1974)
Novelário de Donga Novais (1976)
Armas e Corações (1978)

Antônio Callado
Nasceu em Niterói, RJ, em 1917. É jornalista, romancista e dramaturgo. Sua obra contém sempre a mesma preocupação de revelar elementos importantes da cultura , da sociedade e da politica brasileira. Seus dois primeiros romances, Assunção e Salviano e a Madona de Cedro, são de cunho regionalista e retratam o misticismo, as crendices e as superstições religiosas. Nos romances seguintes retrata aspectos da situação política brasileira, com “Quarup” e”Bar Don Juan”. Fez peças teatrais, todas regionalistas: A Amazonia, o Nordeste e o Ciclo do Outro em Minas Gerais.

Obras:
Assunção de Salviano (1954)
A Madona de Cedro (1957)
Quarup (1968)
Bar Don Juan (1971)
Reflexos do Baile (1976)
A Expedição Montaigne (1982)

Lygia Fagundes Telles
Obras
Romances:
Ciranda de Pedra (1955)
As meninas (1973)
Contos
O jardim selvagem (1965)
Antes do Baile Verde (1970)
Filhos Pródigos (1978)

Osman Lins

Obras
Romances
O fiel e a pedra (1960)
Avalovara (1973)
A rainha dos Cárceres da Grécia (1976)
Contos
Os gestos (1957)
Nove, novena (1966)

Carlos Heitor Cony

Obras
Romances
O ventre (1958)
Antes o verão (1964)

Josué Guimarães
Jornalista gaúcho, segue a linha regionalista. Adquire notoriedade a cada dia que é traduzido no exterior.

Obras:
Dona Anja
Tambores silenciosos
Tempo de guerra
Tempo de angústia
Depois do último trem
Camilo Mortágua

José Geraldo Vieira
Obras
Romances
Terrno baldio (1961)
Paralelo 16 Brasília (1966)

José J. Veiga
Obras
Romance
Os pecados da Tribo (1976)
Contos
Os cavalinhos de Platiplanto (1959)
A máquina extraviada (1966)

Lúcio Cardoso
Segue a linha intimista e psicológica de tom sombrio
Obras
Crônica da Casa Assassinada
Maleita
Luz do subsolo

Márcio Souza
Moderno regionalista da Amazônia, tendo como centro, normalmente, a cidade de Manaus. Possui várias peças teatrais e filmes.
Obras
Galvez, Imperador do Acre
Mad Maria
A resistível ascensão do Boto Tucuxi (1982)


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