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sábado, 14 de maio de 2016

CEP/16 CONTEUDOS SEGUNDA PARCIAL

Olá, terceiranistas.
Conteúdos do Segundo Bimestre - 2a. Parcial:
Orações Subordinadas
Modernismo: Primeira, Segunda e Terceira Fase
Produção textual dos gêneros: bilhete, carta, regulamento.
Produção de Maquete a partir de Interpretação textual
Obra: A Última Quimera UFPR/16

Avaliações 2a. Parcial
1,5: Bilhete, carta, regulamento e maquete: Interpretação textual da Crônica
Recado ao Senhor 903, Rubem Braga

1,5: Mapa Conceitual em grupos com apresentação escrita e oral em painel/cartaz/banner.

1,0: Apresentação Oral escrita em Roda de Conversa Bimestral/ Romance - Roda de Leitura Semanal/Conto/Crônica.

1,0: Interpretação, Produção textual dos gêneros estudados e análise linguísticas sobre o uso de orações subordinadas na produção textual.

Iniciaremos estudos sobre Augusto dos Anjos na obra
A ÚLTIMA QUIMERA

 
Psicologia de  um vencido
Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Vocabulário:
Análogo: semelhante
Epigênese: teoria do desenvolvimento dos seres por transformações  graduais.
Frialdade: frieza
Hipocondríaco: indivíduo que se preocupa  excessivamente com seu estado de  saúde.
Rutilância: cintilância

Para explicar  o  procedimento  poético de Augusto dos Anjos,  o  crítico  Anatol Rosenfeld usou a  expressão  exogomia linguística, que consiste na  introdução de  um  elemento   estranho no fluxo histórico de uma língua. 
Os elementos estranhos à linguagem caracterizam a obra Pré-Modernista. 
No poema Psicologia de um vencido, o  autor introduz elementos vocabulares relativamente estranhos à estética poética do  século XIX – vocabulário emprestado do cientificismo naturalista. Seus temas favoritos  são a dor existencial e a efemeridade da  vida e a morte como única solução para os problemas.

Vandalismo
Augusto dos Anjos
Meu coração  tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longíquas datas,
Onde um  nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lutrais  irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como  os  velhos  Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos  e risonhos…

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a  imagem dos  meus próprios sonhos!

Vocabulário:
Prisca: antiga, velha, que pertence ao passado.
Nume: divindade, poder celeste.
Ogiva: arco diagonal  de  uma abóbada gótica.
Fúlgida:  fulgurante, luzente, brilhante.
Colunata: série de colunas dispostas com simetria para adornar um edifício.
Verter: derramar, jorrar.
Lustral: que  serve para dar brilho.
Florão: ornato, enfeite.
Templário: membro da ordem militar e religiosa denominada Pobres Cavaleiros de Cristo, fundada em 1119, em  Jerusalém, com o   fim de proteger os peregrinos e expulsa pelo  Papa em  1312.
Gládio: espada.
Brandir: agitar com a mão (uma espada, uma lança, antes de desferir o  golpe.
Hasta: lança.
Iconoclasta: destruidor de imagens ou ídolos.

O poema Vandalismo, de Augusto dos Anjos, é estruturado  em  forma de soneto, com esquema rímico  ABAB, para os quartetos e CCD para os tercetos.
Embora Augusto  dos Anjos esteja inserido  no Pré-Modernismo, há uma clara influência de períodos anteriores em seu  texto. 

PARNASIANISMO
Do Parnasianismo, o poeta mantém a forma típica daquele período e o esmero ao usar métrica e a rima.

NATURALISMO
Do Naturalismo, aproveita o vocabulário considerado vulgar em  sua época.

SIMBOLISMO
Do Simbolismo, utiliza vocabulário religioso (catedrais,  templos, aleluia,  templários). Essa influência advinda da maioria dos movimentos literários do século XIX aproxima dos demais autores pré-modernistas ao mesmo  tempo em que o distancia –  faltou  ao poeta a temática nacionalista que foi características dos outros autores.

Como recurso estilístico, pode-se observar o  uso de  
Aliterações: repetição de sons consoantes.
No poema, há  reiteração dos fonemas /m/, /n/, /t/ e /d/, além da aliteração constante em /s/, observada no uso do pronome demonstrativo e nos plurais.

Assonâncias: repetição de sons vocálicos. 
A assonância é marcada pela constância da vogal /e/ por  todo o  poema.

O vandalismo, representado pelo “desespero  dos iconoclastas”, mostra o momento  em que o eu lírico teria desistido de seus sonhos (“Quebrei  a imagem  dos meus próprios sonhos”),  o  que  representa a angústia existencial  herdada do Simbolismo.

Iconoclasta: Nome dado ao membro do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos que surgiu no século VIII denominado Iconoclastia. O termo iconoclastia significa literalmente “quebrador de imagem” e tem origem no grego eikon (ícone ou imagem) e klastein (quebrar).

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