Conteúdos do Segundo Bimestre - 2a. Parcial:
Orações Subordinadas
Modernismo: Primeira, Segunda e Terceira Fase
Produção textual dos gêneros: bilhete, carta, regulamento.
Produção de Maquete a partir de Interpretação textual
Obra: A Última Quimera UFPR/16
Avaliações 2a. Parcial
1,5: Bilhete, carta, regulamento e maquete: Interpretação textual da Crônica
Recado ao Senhor 903, Rubem Braga
1,5: Mapa Conceitual em grupos com apresentação escrita e oral em painel/cartaz/banner.
1,0: Apresentação Oral escrita em Roda de Conversa Bimestral/ Romance - Roda de Leitura Semanal/Conto/Crônica.
1,0: Interpretação, Produção textual dos gêneros estudados e análise linguísticas sobre o uso de orações subordinadas na produção textual.
Iniciaremos estudos sobre Augusto dos Anjos na obra
A ÚLTIMA QUIMERA
Psicologia de um vencido
Augusto dos Anjos
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Vocabulário:
Análogo: semelhante
Epigênese: teoria do desenvolvimento dos seres por transformações graduais.
Frialdade: frieza
Hipocondríaco: indivíduo que se preocupa excessivamente com seu estado de saúde.
Rutilância: cintilância
Para explicar o procedimento poético de Augusto dos Anjos, o crítico Anatol Rosenfeld usou a expressão exogomia linguística,
que consiste na introdução de um elemento estranho no fluxo
histórico de uma língua.
Os elementos estranhos à linguagem caracterizam a obra Pré-Modernista.
No poema Psicologia de um vencido, o autor introduz elementos
vocabulares relativamente estranhos à estética poética do século XIX –
vocabulário emprestado do cientificismo naturalista. Seus temas
favoritos são a dor existencial e a efemeridade da vida e a morte como
única solução para os problemas.
Vandalismo
Augusto dos Anjos
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longíquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lutrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos e risonhos…
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
Vocabulário:
Templos de priscas e longíquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lutrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos e risonhos…
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
Vocabulário:
Prisca: antiga, velha, que pertence ao passado.
Nume: divindade, poder celeste.
Ogiva: arco diagonal de uma abóbada gótica.
Fúlgida: fulgurante, luzente, brilhante.
Colunata: série de colunas dispostas com simetria para adornar um edifício.
Verter: derramar, jorrar.
Lustral: que serve para dar brilho.
Florão: ornato, enfeite.
Templário: membro da
ordem militar e religiosa denominada Pobres Cavaleiros de Cristo,
fundada em 1119, em Jerusalém, com o fim de proteger os peregrinos e
expulsa pelo Papa em 1312.
Gládio: espada.
Brandir: agitar com a mão (uma espada, uma lança, antes de desferir o golpe.
Hasta: lança.
Iconoclasta: destruidor de imagens ou ídolos.
O poema Vandalismo, de Augusto dos Anjos, é estruturado em forma de soneto, com esquema rímico ABAB, para os quartetos e CCD para os tercetos.
Embora Augusto dos Anjos esteja inserido no Pré-Modernismo,
há uma clara influência de períodos anteriores em seu texto.
PARNASIANISMO
Do
Parnasianismo, o poeta mantém a forma típica daquele período e o esmero
ao usar métrica e a rima.
NATURALISMO
Do Naturalismo, aproveita o vocabulário
considerado vulgar em sua época.
SIMBOLISMO
Do Simbolismo,
utiliza vocabulário religioso (catedrais, templos, aleluia,
templários). Essa influência advinda da maioria dos movimentos
literários do século XIX aproxima dos demais autores pré-modernistas ao
mesmo tempo em que o distancia – faltou ao poeta a temática
nacionalista que foi características dos outros autores.
Como recurso estilístico, pode-se observar o uso de
Aliterações: repetição de sons consoantes.
No poema, há reiteração dos fonemas /m/, /n/, /t/ e /d/, além
da aliteração constante em /s/, observada no uso do pronome
demonstrativo e nos plurais.
Assonâncias: repetição de sons vocálicos.
A assonância é marcada pela constância da
vogal /e/ por todo o poema.
O vandalismo, representado pelo
“desespero dos iconoclastas”, mostra o momento em que o eu lírico
teria desistido de seus sonhos (“Quebrei a imagem dos meus próprios
sonhos”), o que representa a angústia existencial herdada do
Simbolismo.
Iconoclasta: Nome dado ao membro do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos que surgiu no século VIII denominado Iconoclastia. O termo iconoclastia significa literalmente “quebrador de imagem” e tem origem no grego eikon (ícone ou imagem) e klastein (quebrar).
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