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sexta-feira, 3 de junho de 2016

CEP/16 O ÚLTIMO HIPPIE

Olá, terceiranistas!
Abro espaço para prestigiar a excelente performance como Mediador na Roda de Leitura do dia 02/06/16, quinta-feira.
Aluno: Anthony: 3° N

Impressionante a contextualização e a capacidade crítica do aluno quando possibilitou, a partir da intertextualidade, ligar o conteúdo do texto ao Capitalismo,  sistema econômico cujo mote é o consumo, o que acaba por desconfigurar no indivíduo suas origens.

O aluno tornou possível ainda, uma interferência no texto trazendo uma releitura da obra:  Revolução dos Bichos, de George Orwell.

Percebam que toda a argumentação do aluno e de todos aqueles que participaram da discussão promovendo um  feed bach ao mediador é o que faz um bom texto escrito, somente assim é possível fundamentar um texto com elementos válidos, porque tomados da realidade comprovadamente conhecida e reconhecida.


Lembrem-se que o aluno destacou no início, a diferença entre Crônica e Conto e relacionou a Crônica ao texto jornalístico: o gênero Notícia. Brilhante atuação!

Veja quanto enriquecedora foi essa Roda de Leitura. Isso é ler!
Parabéns, é de vocês o protagonismo.

Parabéns, Anthony.

Abaixo o texto em questão: O Último Hippie, Moacir Sclyar



O último hippie 

Protesto na Dinamarca pede preservação de comunidade hippie. Milhares de pessoas realizaram um protesto em Copenhague neste sábado para manifestar apoio à famosa comunidade hippie Christiania, localizada na capital dinamarquesa. A multidão reunida no local protestou contra os planos do governo de construir um conjunto residencial de luxo na área ocupada pela comunidade.
 

Mundo Online, 30.ago.2003
Os protestos foram inúteis, e o conjunto residencial começou mesmo a ser construído. Os hippies foram, pois, desalojados e acabaram se dispersando pela cidade.
Um apenas permaneceu: hábil concessão da companhia responsável pelo empreendimento, que procurava ganhar o apoio da opinião pública mantendo um hippie como residente. Era um homem idoso, que aderira ao movimento nos anos 60. A ele, pouco importava o lugar em que residisse. Queria ficar em paz, fumando sua maconha e cantarolando velhas melodias de Bob Dylan.
Mas em paz não ficaria. Tão logo o conjunto residencial foi concluído, o homem tornou-se objeto da curiosidade geral. Os moradores, sobretudo as crianças, reuniam-se em torno à precária cabana em que vivia (cuja porta estava sempre aberta) e ali ficavam a observá-lo, como se fosse um curioso animal.
A princípio, o velho hippie não deu muita importância àquela movimentação toda, aos jocosos comentários. Com o tempo, porém, aquilo começou a incomodá-lo. A seu pedido a administração do conjunto residencial construiu uma cerca que impedia a aproximação dos curiosos. Que, no entanto, não desistiam. Queriam ver o estranho morador de qualquer jeito. Um deles perguntou ao hippie quanto cobraria para permitir a passagem pela cerca.
Aquilo deu ao homem uma idéia. Já na semana seguinte, ele estava vendendo os ingressos, que, embora caros, eram disputados pelos moradores e por outros visitantes, que vinham até de longe.
O velho hippie está rico. Pouca gente sabe disso, mas ele já nem mora no conjunto residencial. Com o dinheiro que ganhou, comprou uma enorme casa num outro condomínio, este de luxo. Num carro com motorista, chega à sua cabana de madrugada, veste as suas antigas roupas e passa o dia ali, fumando maconha e cantarolando velhas melodias de Bob Dylan. À noite, depois que os visitantes se foram, regressa para sua casa, onde lhe aguarda trabalho: faz parte da direção do condomínio. Da qual é membro atuante. Recentemente propôs a introdução de um artigo no regulamento, proibindo a admissão ao local de hippies ou de quaisquer outros tipos estranhos.


Moacyr Scliar escreve às segundas-feiras, nesta coluna, um texto de ficção baseado em matérias publicadas no jornal. (In:  Mundo Online)


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