Abro espaço para prestigiar a excelente performance como Mediador na Roda de Leitura do dia 02/06/16, quinta-feira.
Aluno: Anthony: 3° N
Impressionante a contextualização e a capacidade crítica do aluno quando possibilitou, a partir da intertextualidade, ligar o conteúdo do texto ao Capitalismo, sistema econômico cujo mote é o consumo, o que acaba por desconfigurar no indivíduo suas origens.
O aluno tornou possível ainda, uma interferência no texto trazendo uma releitura da obra: Revolução dos Bichos, de George Orwell.
Percebam que toda a argumentação do aluno e de todos aqueles que participaram da discussão promovendo um feed bach ao mediador é o que faz um bom texto escrito, somente assim é possível fundamentar um texto com elementos válidos, porque tomados da realidade comprovadamente conhecida e reconhecida.
Lembrem-se que o aluno destacou no início, a diferença entre Crônica e Conto e relacionou a Crônica ao texto jornalístico: o gênero Notícia. Brilhante atuação!
Veja quanto enriquecedora foi essa Roda de Leitura. Isso é ler!
Parabéns, é de vocês o protagonismo.
Parabéns, Anthony.
Abaixo o texto em questão: O Último Hippie, Moacir Sclyar
O último
hippie
Protesto
na Dinamarca pede preservação de comunidade hippie. Milhares de pessoas
realizaram um protesto em Copenhague neste sábado para manifestar apoio à
famosa comunidade hippie Christiania, localizada na capital dinamarquesa. A
multidão reunida no local protestou contra os planos do governo de construir um
conjunto residencial de luxo na área ocupada pela comunidade.
Mundo Online, 30.ago.2003
Mundo Online, 30.ago.2003
Os
protestos foram inúteis, e o conjunto residencial começou mesmo a ser
construído. Os hippies foram, pois, desalojados e acabaram se dispersando pela
cidade.
Um apenas permaneceu: hábil concessão da companhia responsável pelo empreendimento, que procurava ganhar o apoio da opinião pública mantendo um hippie como residente. Era um homem idoso, que aderira ao movimento nos anos 60. A ele, pouco importava o lugar em que residisse. Queria ficar em paz, fumando sua maconha e cantarolando velhas melodias de Bob Dylan.
Mas em paz não ficaria. Tão logo o conjunto residencial foi concluído, o homem tornou-se objeto da curiosidade geral. Os moradores, sobretudo as crianças, reuniam-se em torno à precária cabana em que vivia (cuja porta estava sempre aberta) e ali ficavam a observá-lo, como se fosse um curioso animal.
A princípio, o velho hippie não deu muita importância àquela movimentação toda, aos jocosos comentários. Com o tempo, porém, aquilo começou a incomodá-lo. A seu pedido a administração do conjunto residencial construiu uma cerca que impedia a aproximação dos curiosos. Que, no entanto, não desistiam. Queriam ver o estranho morador de qualquer jeito. Um deles perguntou ao hippie quanto cobraria para permitir a passagem pela cerca.
Aquilo deu ao homem uma idéia. Já na semana seguinte, ele estava vendendo os ingressos, que, embora caros, eram disputados pelos moradores e por outros visitantes, que vinham até de longe.
O velho hippie está rico. Pouca gente sabe disso, mas ele já nem mora no conjunto residencial. Com o dinheiro que ganhou, comprou uma enorme casa num outro condomínio, este de luxo. Num carro com motorista, chega à sua cabana de madrugada, veste as suas antigas roupas e passa o dia ali, fumando maconha e cantarolando velhas melodias de Bob Dylan. À noite, depois que os visitantes se foram, regressa para sua casa, onde lhe aguarda trabalho: faz parte da direção do condomínio. Da qual é membro atuante. Recentemente propôs a introdução de um artigo no regulamento, proibindo a admissão ao local de hippies ou de quaisquer outros tipos estranhos.
Um apenas permaneceu: hábil concessão da companhia responsável pelo empreendimento, que procurava ganhar o apoio da opinião pública mantendo um hippie como residente. Era um homem idoso, que aderira ao movimento nos anos 60. A ele, pouco importava o lugar em que residisse. Queria ficar em paz, fumando sua maconha e cantarolando velhas melodias de Bob Dylan.
Mas em paz não ficaria. Tão logo o conjunto residencial foi concluído, o homem tornou-se objeto da curiosidade geral. Os moradores, sobretudo as crianças, reuniam-se em torno à precária cabana em que vivia (cuja porta estava sempre aberta) e ali ficavam a observá-lo, como se fosse um curioso animal.
A princípio, o velho hippie não deu muita importância àquela movimentação toda, aos jocosos comentários. Com o tempo, porém, aquilo começou a incomodá-lo. A seu pedido a administração do conjunto residencial construiu uma cerca que impedia a aproximação dos curiosos. Que, no entanto, não desistiam. Queriam ver o estranho morador de qualquer jeito. Um deles perguntou ao hippie quanto cobraria para permitir a passagem pela cerca.
Aquilo deu ao homem uma idéia. Já na semana seguinte, ele estava vendendo os ingressos, que, embora caros, eram disputados pelos moradores e por outros visitantes, que vinham até de longe.
O velho hippie está rico. Pouca gente sabe disso, mas ele já nem mora no conjunto residencial. Com o dinheiro que ganhou, comprou uma enorme casa num outro condomínio, este de luxo. Num carro com motorista, chega à sua cabana de madrugada, veste as suas antigas roupas e passa o dia ali, fumando maconha e cantarolando velhas melodias de Bob Dylan. À noite, depois que os visitantes se foram, regressa para sua casa, onde lhe aguarda trabalho: faz parte da direção do condomínio. Da qual é membro atuante. Recentemente propôs a introdução de um artigo no regulamento, proibindo a admissão ao local de hippies ou de quaisquer outros tipos estranhos.
Moacyr Scliar escreve às segundas-feiras,
nesta coluna, um texto de ficção baseado em matérias publicadas no jornal. (In: Mundo Online)
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