Concluindo os trabalhos com a Literatura Trovadoresca, eis uma revisão geral:
Revisão elaborada pela professora Maria Lúcia Carneiro, na
disciplina de Português.
TROVADORISMO – 1189
Introduzida em Portugal por Paio Soares de Taveirós com a
Cantiga da Ribeirinha.
Contexto histórico:
1. Feudalismo
(feudo-terra) – era o poder em relação à posse da terra que conduzia a vida do
homem naquele momento.
Ao proprietário da terra dava-se o nome de Senhor Feudal.
O Feudalismo fez surgir duas classes: a do Senhor Feudal
(aquele que possuía o feudo/terra x o vassalo, aquele que dependeria da terra
para a própria subsistência, ou seja, aquele que estaria sujeito e subordinado
às ordens do Senhor Feudal que lhe daria um pedaço de terra em troca da
servidão. Criava-se então uma relação de desigualdade.
2. Teocentrismo (Téo=Deus) – era a fé em Deus que conduzia a
vida do homem.
Difundia-se a ideia de que o homem somente vivia porque Deus
permitia, logo, para continuar vivendo era preciso exercitar a fé para que a
vida terrena fosse uma passagem para a outra vida junto ao eterno, e em nome de
Deus, o povo era levado ao trabalho até à exaustão porque o suor dele
representava o sacrifício mais tarde recompensado.
3. Guerra – Vivia-se o momento das Cruzadas, guerra de cunho
religioso e político.
Características da literatura/oralidade
1.
Literatura=música: eram poucas as pessoas
alfabetizadas, portanto, a escrita era competência do clero e da nobreza, logo,
para propagar os textos literários buscava-se um trovador (do verbo trouver, do
francês), aquele que comporia a melodia para o texto poético; esses trovadores
eram pessoas do povo.
2.
Paralelismo= recurso literário que facilitava a
sonoridade e se caracteriza por versos que se repetem ao final das estrofes
(refrão, ou estribilho hoje presente na música).
3.
Temática: a realidade política,
social, econômica e religiosa.
4.
Cantigas: textos literários em forma de versos
semelhantes ao texto musical.
5.
Tipos de cantiga:
Lírica: de amor e de amigo
Satírica: de maldizer e de escárnio
Cantigas de amor: o
eu lírico masculino canta o seu amor à mulher amada numa relação semelhante
àquela estabelecida entre o Senhor Feudal e o vassalo, por isso, chamada de
vassalagem amorosa, pois o homem, de forma platônica demonstrava o seu amor à
mulher (Senhora) numa posição de subordinação.
Cantigas de amigo: o eu lírico, feminino, canta o seu amor
ao amigo (namorado/amante) que está distante, geralmente lutando nas guerras
(As Cruzadas)
Cantigas de escárnio: temática variada de fundo crítica, em
que se denunciavam os vícios humanos, assim como a hipocrisia da política e da
religião da época. A crítica/denúncia era indireta, ou seja, não se apontava o
nome àquele a quem se queria atingir.
Cantigas de maldizer: semelhante à cantiga de escárnio,
diferenciando-se por se tratar de uma crítica/denúncia mais direta, pois
apontava-se o nome daquele a quem se criticava.
6.
CANCIONEIROS: São as compilações das cantigas
que hoje estão preservadas nos museus em Portugal.
7.
NOVELAS DE CAVALARIA: São os textos em prosa, as
narrativas ficcionais, a contação das histórias dos homens que lutavam por
reinos, donzelas e paixões nos tempos medievais e que incluíam a Rei Arthur e
os cavaleiros da távola (mesa) redonda.
As novelas de cavalaria mais conhecidas
são: a demanda do Santo Graal e Amadis de Gaula.
A DEMANDA DO SANTO GRAAL – é uma novela que
narra a busca os cavaleiros da távola redona ao Santo Graal (cálice em que
Jesus teria tomado o vinho da última Ceia)
HERANÇA DO TROVADORISMO AO BRASIL
O Brasil herdou alguns termos da linguagem trovadoresca como
“amigo”, “amigado”.
LITERATURA DE CORDEL: O Trovadorismo inspirou no Brasil a
Literatura de Cordel, pequenos livros em que os autores escrevem para
criticar/denunciar atos dos quais discordam e estão relacionados aos costumes,
à política e à vida social, principalmente no Nordeste Brasileiro, onde os
autores expõem as obras em varais, nas ruas.
REPENTE: jogo musical de palavras entre interlocutores,
geralmente uma dupla, que cantam,
acompanhados de um instrumento musical, e expressam o conteúdo de suas críticas
elaboradas na improvisação.
O TROVADORISMO NA CONTEMPORANEIDADE (dias atuais)
É comum na música atual, a temática das cantigas medievais
trovadorescas, principalmente a cantiga de amor, visível nas músicas sertanejas; e as de
maldizer e de escárnio nas letras e melodias de alguns ritmos atuais como o
funk.
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