O Uraguai
O Uraguai, do poeta Basílio da Gama, é um poema épico-narrativo, considerado uma epopeia, obra que destaca feitos heroicos, neste caso, a heroismo indígena.
A obra ocupa espaço no Setecentismo ou Arcadismo Brasileiro.
O Uruguai foi escrito em 5 cantos, em 1377 versos decassílabos, distribuídos em proposição, invocação, dedicatória, narrativa e epílogo.
Análise da obra
A obra poética tem como pano de fundo as imposições de Marquês de Pombal, de quem o autor era irmão, e seu esforço na expulsão dos jesuítas.
Além disso, refere-se ao Tratado de Madri, acordo entre Portugal e Espanha, a esta cabia a Colônica do Sacramento e àquele, a região ocupada pelos jesuítas, no Uruguai, os Sete Povos das Missões. Traz no bojo a resistência indígena pela manutenção de seus povos e sua cultura. E como ficção, aproxima os feitos às características árcades.
Personagens:
Padre Balda, jesuíta administrador da região de Sete Povos das Missões.
Baldeta: filho de Padre Balda.
Caitutu: guerreiro indígena e irmão de Lindois, a heroína e esposa de Cacambo.
Cacambo: cacique e esposo de Lindóia.
Cepê: cacique
Lindoia: a heróina indígena.
Tanajura: feiticeira indígena.
Gomes Freire: Português chefe das tropas portuguesas.
Catâneo: chefe das tropas espanholas.
Canto I: Apresenta os personagens principais e a motivação do impasse que transcorrerá durante os demais cantos: A liberdade indígena e a expulsão dos jesuítas. Surge a figura do General Gomes Freire de Andrade e de Catâneo, oficiais de um e outro lado do litígio.
Canto II: Diante da recusa dos índios à aceitação da nacionalidade espanhola, apesar da luta, acabam vencidos tendo o cacique Cepê morto em combate, cabendo a Cacambo a retirada.
Impelido à nova luta pelo espírito de Cepê, Cacambo provoca um incêndio no acampanhamento, mas é morto por mando de Padre Balda, cuja intenção é substituí-lo pelo filho tornando-o cacique no lugar de Balda. Lindoia sofre a perda do marido, e com o propósito de jamais substituir o marido, oferece-se à morte deixando-se picar por uma serpente, e mesmo diante do olhar incrédulo do irmão Caitutu, não consegue ser salva, pois apesar da tentativa do irmão de salvá-la, ao atirar a flecha na serpente, seu feito foi tardio, pois Lindoia já estava sem vida.
Finalmente, apesar da perseguição de Padre Balda aos índios e do incêndio que põe fim à Missão, resta a liberdade aos resistentes e sobreviventes, ficando a figura dos jesuítas como responsáveis pela condução do massacre e tentativa de extermínio dos povos indígenas.
Apesar de narrativa épica, o poema não se aproxima dos feitos narrados por Camões, ainda que traços literários os igualem. O texto cumpre o ideal àrcade de bucolismo, simplicidade e heroismo traduzido pelos feitos heróicos do indígena na figura de Cepê, Cacambo, Caitutu e Lindoia.
Crítica pessoal
Desde o descobrimento, teve início a conquista e a catequização como facilitadora do diálogo entre o nativo e o conquistador. Na sequência, a posse de terras e fontes de geração de lucro motivadas pela necessidade de fixação, levou os conquistadores a iniciarem um processo político entre lideranças latinas e de outros continentes para assim demarcar espaços e criar fronteiras definidas. Assim, de forma romanceada na figura de Lindoia, temos como pano de fundo a defesa das fronteiras entre Brasil, Portugal e Espanha, e no meio de tudo, a vida indígena como empecilho nas negociações. Resta que a destruição da Missão transformou-se em mal necessário, e ainda que libertos, a violência do conquistador fará sombra eterna à sobrevivência dos povos, e a figura do Marquês de Pombal, a do político que faz da diplomacia, o mote para a violência contra quem impede o progresso e o desenvolvimento, e nesse litígio, vencem os que derrotam os herois, a estes lhes resta, senão a dizimação total, a imortalidade na história e rendem bons romances.
terça-feira, 2 de junho de 2020
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.