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quarta-feira, 28 de maio de 2014

CAMÕES E LEGIÃO URBANA!

Primeiros O P Q, eis muita poesia para iluminar as suas vidas!



Soneto 11
Amor é fogo

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
(Luís Vaz de Camões)

Além das antíteses que perpassam todo o texto, a ideia contida no poema é um paradoxo: Por que amamos se o amor é tão contrário em si mesmo?


Agora leia e ouça a música: Paráfrase do soneto de Camões pelo grupo Legião Urbana.



Monte Castelo                                                                                
            (Legião Urbana)                                                                

Ainda que eu falasse a língua dos homens                 
Sem amor, eu nada seria
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade                                        
O amor é bom, não quer o mal                                       
Não sente inveja ou se envaidece                                 

(1)O amor é um fogo que arde sem se ver                   
É ferida que dói e não se sente                                      
É um contentamento descontente                                 
É dor que desatina sem doer                                          

Ainda que eu falasse a língua dos homens                 
Que eu falasse a língua dos anjos                                 
Sem amor, eu nada seria                                    

(2)É um não querer mais que bem querer                    
É solitário andar por entre a gente                                 
É um não contentar-se de contente                               
É cuidar que se ganha em se perder                             

É o estar-se preso por vontade                                       
É servir a quem vence, o vencedor                                
É o ter com quem nos mata, lealdade                           
Tão contrário a si é mesmo o amor?                             

Estou acordado, todos dormem, todos dormem                     
Agora vejo em parte                                                         
Mas então veremos face a face                                      
É só o amor, é só o amor                                     
Que conhece o que é verdade                                        
Ainda que eu falasse a língua dos homens                 
Que eu falasse a língua dos anjos                                 
Sem amor, eu nada seria.                                   

OBS: Esta música é uma intertextualidade. Faz uma abordagem à Bíblia. I Coríntios: 13 e ao  soneto 11: “Amor é fogo” de   Luís Vaz de Camões, além do título fazer uma referência ao Monte Castelo,  nome de uma região ao norte da Itália, onde foi travada a Batalha de Monte Castelo.  Foi lá que militares brasileiros e estadunidenses combateram soldados alemães ao fim da segunda guerra mundial. Naquele local,  quatro dos ataques não tiveram êxito, por falhas de estratégia. Essa canção, Monte Castelo, tem esse nome para nos remeter a esse tempo, a essa batalha.

      Embora pudesse falar do amor carnal, dos amantes (já que cita o Soneto 11, de Camões) ou do amor divino (afinal repete trechos bíblicos), Monte Castelo fala sobre a guerra, sobre a opinião de Renato Russo sobre isso.
     Acontece nesta música o que a literatura nomeia de intertextualidade. Renato "apropria-se" do poema de Luís de Camões e do texto bíblico ("A Suprema excelência da caridade" ou "O amor é um dom supremo") e cria uma nova ideia. Os mesmos versos, que antes tinham um significado certo, agora ganham uma nova interpretação, variam de acordo com o contexto que Renato criou.
                                   

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