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domingo, 23 de março de 2014

CEP - A NARRATIVA FICCIONAL - SUBSÍDIOS PARA A COMPREENSÃO DO ROTEIRO DE LEITURA LITERÁRIA

 LITERATURA

A NARRAÇÃO FICCIONAL– ESTRUTURA E ELEMENTOS

Narrar é contar uma história. Tal história pode ser real ou fictícia, pouco importa. O importante é que a história contenha os cinco elementos básicos da narração: narrador, personagem, espaço, tempo e enredo.

ESTRUTURA:
a) Apresentação / Introdução→ normalmente é o início do texto onde são mostrados ao leitor os primeiros dados como os personagens e suas características, o espaço em que se movimentam, as relações que mantêm entre si e suas referências temporais. Expõe-se a situação inicial do universo ficcional.

b) Desenvolvimento→ progresso do conflito.
• Complicação: rompe-se o equilíbrio do estado inicial, surgem conflitos e começam a ocorrer transformações, expressas em um ou mais episódios que, encadeados, conduzem a narrativa a um ponto máximo de tensão.
• Clímax: é o ponto máximo de tensão, resultante da convergência dos vários conflitos vividos pelas personagens.

c) Desfecho ou desenlace-> corresponde à situação final, ou seja, ao novo equilíbrio que se alcança depois do clímax.

ELEMENTOS:
a) Narrador → é o ser fictício que o autor inventa  para contar a história.
Foco narrativo: O narrador pode aparecer:

• em primeira pessoa – narrador personagem→ participa ou participou da história que ele mesmo conta.

• em terceira pessoa - narrador onisciente→ constantemente emite opiniões e, em algumas vezes, até se dirige ao leitor. Conhece todos os elementos da história e o interior das personagens (o psicológico das personagens). Como o próprio nome sugere, é aquele que sabe de tudo – conhece o início, o meio, o fim e as motivações que levaram a tal fim.
• em terceira pessoa - narrador-observador (objetivo): procura não se envolver com os fatos narrados. Conta a história como se descrevesse um quadro. Não conhece o interior das personagens e, muitas vezes, não sabe a razão de determinada ocorrência narrativa.

b) Personagem-> é aquele que participa da história, ainda que seja um objeto ou animal, desde que este seja animado / personificado. Pode ser classificado quanto a:
IMPORTÂNCIA PARA A TRAMA
• Protagonista ou Herói→ em geral, mas não necessariamente, personifica o “Bem” e os valores morais defendidos pelo narrador; no caso de um protagonista utilizado como um contra-exemplo moral, chama-se de “anti-herói”; é chamado ainda de personagem principal.

• Antagonista ou Vilão→ em geral, mas não necessariamente, personifica o “Mal” e os valores morais combatidos pelo narrador; o vilão também pode ser o protagonista da narrativa, como em O Fantasma da Ópera. É aquele que se opõe ao protagonista e seus intentos.

SECUNDÁRIOS
• Coadjuvantes→ apesar de não serem os mais importantes da história, interferem na mesma de alguma forma. São importantes para o desenvolvimento da trama.

• Figurantes→ são aqueles que não possuem importância para a trama. Confundem-se com o cenário.

PROFUNDIDADE INTELECTUAL
• Personagem plana: seu comportamento é previsível (é o chato que só sabe ser chato, o gozador que está sempre fazendo graça, o trágico que só vê desgraça em tudo). Há personagens que não representam individualidades e sim tipos humanos, identificados pela profissão, pelo comportamento, pela classe social. Quando esses comportamentos forem realçados, teremos os personagens caricaturais. É aquele que possui pouca profundidade intelectual sendo incapaz de refletir ou de se colocar questões internas de ordem psicológica. É apenas um tipo, um estereótipo, não um ser com plena capacidade intelectual e cognitiva.

• Personagem redonda ou esférica: além de ser imprevisível, é apresentada sob vários aspectos. Possui profundidade, ou seja, uma intelectualidade que contribui com a trama, que é importante no contexto da história. É capaz de mudar seu posicionamento e suas ações ao longo da trama. Apresenta conflitos interiores e reflexões. Trata-se de uma representação mais fiel da pessoa humana justamente por incluir a possibilidade de reflexão, autoanálise e até mesmo de contradições.

c) Tempo
• Tempo cronológico ou tempo da história→ determinado pela sucessão cronológica dos acontecimentos narrados. Trata-se do tempo do mundo real, cotidiano, contado por meio dos segundos, minutos, horas…
Histórico→ refere-se à época ou momento histórico em que a ação se desenrola. Guarda mais relação com o cenário e figurino que propriamente com o desenrolar da ação. Ex.: séc. XVII – novelas de época.
Mítico ou mitológico→ refere-se a uma época mítica, inventada, por vezes anterior ao homem ou mesmo posterior. Possui as mesmas características do histórico, exceto por ser fantasioso / imaginário – não contextualizando um período da história humana.
• Tempo psicológico→ é um tempo subjetivo, vivido ou sentido pela personagem, que flui em consonância com o seu estado de espírito. É o tempo interior, fantástico, maravilhoso – um fluxo de consciência que não necessariamente apresenta uma sequência lógica ou se rege pelas leis da física. É o tempo dos sonhos, da imaginação.

d) Espaço / ambiente→ caracterizado, quase sempre, pelas descrições, de acordo com a intenção do narrador. Assim como o tempo, o espaço pode referir-se a um lugar real, dentro do universo ficcional, sendo, então, exterior (esse tipo costuma ter pouca importância nas narrativas de tempo psicológico) ou a um lugar mágico, imaginário (que guarda maior relação com narrativas de tempo psicológico).
É usual classificar o espaço em regional ou urbano, físico ou social.

e) Enredo→ toda narrativa pressupõe algo sendo contado. O enredo é o que sustenta a história. É a sucessão de acontecimentos e como ela se dá. É a estrutura da história; o que sobra da mesma ao retirarmos os personagens, o tempo, o espaço e o narrador. É o desenvolvimento de ocorrências – a trama.

 Fonte: A Criação Literária: Poesia e Prosa - Massaud Moisés.

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