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quarta-feira, 8 de março de 2017

CEP/17 SEMANA DA ARTE MODERNA


 CEP/17-Terceiranistas
A Semana da Arte Moderna
Trabalho: 1,5
Data de início das apresentações escritas e orais: Semana de 13 de março em diante.

Instruções quanto aos procedimentos para organização do trabalho.

1a. parte: Oralidade/Individual e interação com o grupo
Instruções: Apresente a sua temática imaginando que você é um artista presente na Semana da Arte Moderna apresentando a sua obra, portanto, fale das característica e o que diferencia sua Arte das tradicionais do passado.

2a. parte: Escrita/grupo
Produza um livreto escrito sobre sua temática com a seguinte apresentação:
Tamanho: folha sulfite dobrada ao meio;
Capa: nome dos integrantes do grupo;
Título da Arte escolhida;
Ilustração.

Introdução:
Apresente a temática e justifique sua escolha explicitando o que vai apresentar no desenvolvimento.

Desenvolvimento:
Apresente a Arte, o autor (s), fale da importância desse autor durante a Semana da Arte Moderna e ingresso dessa Arte no Movimento Modernismo. Cite a reação da plateia durante a exposição das obras na época. Ilustre, dê exemplos etc.

Conclusão: Fale sobre a importância da pesquisa e o significado para você e o grupo quanto ao conhecimento adquirido e sobre o autor, a importância deste para estabelecer o novo na Arte Brasileira.

Fonte: Cite as fontes de pesquisa. (sites, revistas, livros)

Segue material para auxiliar na pesquisa e estudo.
Bom trabalho.

A Pintura:
 (Tela Abaporu - Tarsila do Amaral - Movimento Antropofágico) 


Esta pintura sugeriu a Oswald de Andrade, uma nova linguagem um pouco freudiana e um tanto surrealista. Inspira-se o autor na obra de Tarsila para desenvolver o Movimento Antropofágico.

Abaporu, mostra uma figura enorme, com a cabeça muito pequena e com pés enormes, formas orgânicas e cores primitivas, como o azul forte, amarelo cromo, verde forte, laranja e roxo, sugerindo  uma figura  nativa, num chão selvagem, uma arte antropofágica. Gera uma arte primitiva e moderna e muito brasileira. Oswald de Andrade no Manifesto da Poesia Pau-Brasil, falava que a cultura brasileira era resultante da “deglutição” da cultura europeia por nós brasileiros, uma forma de antropofagia. Era isto baseado num ritual tupi-guarani também, onde comia-se a carne dos prisioneiros  para assim adquirir sua força vital. Tarsila realmente é  exemplo da arte antropofágica com o “Abaporu”.

Movimento Pau Brasil

(Tela: Estrada de Ferro Central do Brasil, 1924 - Tarsila do Amaral)
Quadro ícone do Manifesto e Movimento Pau-Brasil, esta obra evidencia bem o contraste das paisagens rurais e estradas de ferro da emergente São Paulo industrial; mescla profunda entre a herança dos cenários abertos da fazenda e o futuro das cidades modernas.

Uma das principais conquistas estéticas e intelectuais do modernismo, em um segundo momento, quando existe uma busca as fontes brasileiras e uma problematização da realidade nacional, formalizada na problemática conciliação entre a roça e a cidade, o atraso e o progresso; assim vemos o passado barroco das igrejas e a religiosidade popular contrastarem com a ponte ferroviária, as sinaleiras, ou os postes de energia elétrica, marcos da modernidade e do progresso. Da mesma forma que a rigidez das linhas das construções contrastam com a paisagem de vegetação tropical, de formas arredondadas.

Nesta grande tela, de composição geometrizada ao máximo,  mas sem detrimento das figuras, com planos bem definidos e linhas simplificadas; a artista põe a mostra o que aprendera em seu 'serviço militar do cubismo' nos ateliês de Lhote, Gleizes e Léger, artistas que haviam se afastado do austero e cerebral cubismo de Picasso e Braque.  
Traço constante de sua obra, a presença da busca de uma cor verdadeiramente brasileira ou caipira : rosa e azul claros, ou o verde e amarelo do nosso colorido tropical, a cor é um dos elementos mais valorizados em sua composição. (Fonte: MAC/USP)





(Tela A Negra, 1923 – Tarsila do Amaral)
 Pintura precursora do Movimento Antropofágico que só aconteceria em 1928. 
Esta figura de uma mulher nua, de grossos lábios, tendo a frente um seio pesado e pendente, sentada, de braços e pernas grossos e toscos, tem a aparência imóvel, como de uma imagem evocada ou de uma aparição saída de um flash de memória do passado. Como imagem é uma presença, como evocação está inerte, como um ser à espreita.

Segundo um depoimento da própria artista, a imagem desta negra é fruto das histórias contadas pelas mucamas da fazenda em sua infância. Falavam de coisas que impressionaram a menina Tarsila, como o caso das escravas dedicadas a trabalhar nas plantações de café, e que impedidas de suspender o trabalho, amarravam pedrinhas nos bicos dos seios, para que estes, desta forma alongados, pudessem ser colocados por sobre os ombros, a fim de poder amamentar seus filhos, que carregavam as costas. 
Atrás da figura a artistas dispõe uma folha de bananeira, em diagonal semi-curvada. É um marco ou portal que entrelaça na composição a figura da negra, à frente, do imaginário brasileiro, com a parte do fundo, relacionada à disciplina construtiva cubista. De fato, o fundo da tela constitui-se em um exercício construtivo de formas-cores, que se desdobram em faixas na superfície, como uma trama bidimensional. Desta maneira, articula ou combina a estrutura autônoma do espaço pictórico com a composição figurativa. Esta obra já é um hibridismo entre os valores da terra e a atualização da linguagem plástica, proclamados pelos modernistas da Semana de 22. (Fonte: MAC/USP)


Acontecimentos da Semana da Arte Moderna
Local: Teatro Municipal de Sao Paulo 
Data: 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922

Em 1917, a pintora, desenhista, e professora Anita (Catarina) Malfatti (1889 – 1964), fez uma exposição em São Paulo, trazendo novidades a pintura. Houve críticas violentas; tacharam-na de louca e de paranoica. Os artistas modernistas se uniram em sua defesa, e na arte diferente que precisavam revelar ao país. Por conta disso, no início de 1922, organizaram entre os dias 11 e 18 de fevereiro, a chamada Semana da Arte Moderna: festivais de pintura, escultura, literatura e música. Graça Aranha foi escolhido pelo grupo para liderar a Semana de Arte Moderna, cuja ideia surgiu durante uma exposição de pintura de Di Cavalcanti, na livraria de Jacinto Silva, onde habitualmente se reunia um grupo de jovens escritores e artistas.
A 29 de janeiro de 1922, O Estado de São Paulo noticiava: "Por iniciativa do festejado escritor, Senhor Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, haverá em São Paulo uma 'Semana de Arte Moderna', em que tomarão parte os artistas, que, em nosso meio, representam as mais modernas correntes artísticas."

Realizaram-se três espetáculos durante a Semana, nos dias 13, 15 e 17. O programa do primeiro festival compreendia a conferência de Graça Aranha – "A emoção estética na Arte Moderna", ilustrada com música de Ernani Braga e poesia de Guilherme de Almeida e Ronaldo de Carvalho, ao que se segue um concerto de música de Villa-Lobos.
A grande noite da Semana foi à segunda, entretanto houve algazarra, assobios e vaias. No terceiro espetáculo, dia 17, o concerto de Villa-Lobos foi perturbado, principalmente, porque se supôs fosse "futurismo" o artista se apresentar de casaca e chinelo, quando o compositor assim se calçava por estar com um calo arruinado.
No intervalo entre uma parte e outra do programa, Mário de Andrade pronunciou breve palestra, na escadaria interna do Municipal, sobre a exposição de artes plásticas ali apresentadas, justificando as "alucinantes criações dos pintores futuristas". Vinte anos após o episódio Mário de Andrade escreveria: "Como pude fazer uma conferência cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer".
Foi intenso o impacto junto ao público, que reagiu com incompreensão das novas tendências. Muitos artistas que mais tarde se tornaram famosos, foram vaiados: Di Cavalcante, Vila Lobos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menot del Picchia, Afonso Schmidt, Guilherme de Almeida, entre outros. Apesar das vaias, os artistas conseguiram o que queriam: o escândalo; chocar para mudar; apresentar "ousadas novidades", que revelassem a realidade brasileira como tal; espaço nos jornais; polêmicas e comentários. Sua arte estava divulgada.
Os modernistas não aceitaram serem chamados de futuristas. Menotti, orador oficial das noites, assim afirma: "A nossa estática é de reação. Como tal é guerreira. O termo futurista, com que erradamente a etiquetaram, aceitamo-lo porque era um cartel de desafio". Na verdade não havia uma única tendência que os unia. Seu objetivo comum era renovar e atualizar a Arte Brasileira. O resto eram diferenças. 


Fonte: Recanto das Letras. 

A Música:

VILLA LOBOS
As Bachianas
Bachianas n° 5



 A Bachianas Brasileiras Nº 5 é a composição clássica brasileira mais conhecida no mundo e, por ser uma obra vocal, levanta o problema sério do canto lírico na língua portuguesa.
Villa-Lobos escreveu esta composição para soprano e orquestra de violoncelos em duas etapas: em 1938 escreveu a primeira seção, a “Ária” (Cantilena), e somente em 1945 escreveu a “Dança” (Martelo). Isso explica a razão do primeiro registro fonográfico da composição, com a célebre cantora brasileira Bidu Sayão (1902-1999), realizado em 1938 e regido pelo próprio compositor, só conter a primeira seção, pois a segunda só seria escrita sete anos depois. Somente depois de ter composto a última Bachianas, a de número nove, é que Villa-Lobos escreverá a segunda seção da obra, a “Dança”. “Se a ideia da “Ária” era imitar um Choral figurado de Bach a segunda parte, a Dança” nos remete ao nordeste do Brasil, especialmente na maneira de imitar os cordelistas. Ao colocar o termo “Martelo” nesta segunda seção ele se refere não a um tipo de dança nordestina, mas sim a um estilo poético inventado pelo escritor Jaime Pedro Martelo (1665-1727) que inventou um tipo de poema frequentemente usado pelos cordelistas. Se a “Ária”, em sua parte central, contém um texto pouco relevante de Ruth Valadares Corrêa (cantora responsável pela estréia mundial desta seção), na segunda parte temos uma poesia de um grande nome da literatura brasileira: Manuel Bandeira (1886-1968).
Bachianas é nome inspirado em Bach (Johan Sebastian Bach, músico alemão)

BACH
Johann Sebastian Bach
Bach, compositor alemão e gênio da matemática,  também foi uma figura excêntrica --assim como sua arte, dificílima.

Era obstinado em combinar as melodias da música e, graças a sua técnica, dominou como ninguém a ciência da composição em prol da harmonia perfeita.
Nascido em 21 de março de 1685, em Eisenach, uma pequena cidade da Turingia, no centro da Alemanha, desde pequeno o caminho de Johann Sebastian Bach cruzou-se com o da Igreja Protestante de Martim Lutero, fundada na Alemanha do século 16, e da qual sua família, os tradicionais músicos Bach, fazia parte. 
Naturalmente, seu pai, o violinista Johann Ambrosius Bach, educou os seus oito filhos para que se tornassem proeminentes músicos seguindo a tradição dos Bach, que passaram sua herança musical de geração em geração por 200 anos. Só que o seu caçula superou a todos. Órfão de pai e mãe aos nove anos de idade, Johann Sebastian passou a adolescência em Ohrdruf com seu irmão mais velho, o violinista Johann Christoph. 
No fim do século 17, a Alemanha estava dividida em estados independentes, mas abertos a culturas europeias, como as da Itália e França. Foi nesse cenário, que o jovem Bach adquiriu uma sofisticada formação cultural, absorvendo a arte dos compositores antigos e também a de seus contemporâneos barrocos Antonio Vivaldi, Reincken e Frescobaldi, entre outros. 
Mas ele precisava de mais informação. Então, com quinze anos de idade, alcançou meios de desenvolver plenamente a sua intelectualidade, matriculando-se na respeitada escola São Miguel de Lüneburg. Consta-se que, ainda criança, transcrevia obras de autores em alemão, latim, francês ou italiano. Ávido por conhecimento, Bach estudava várias horas, todos os dias. Tudo para aperfeiçoar seu domínio técnico sobre a música, que despertou o fascínio de diversas gerações --mais tarde Mozart e Beethoven também o chamariam de "o pai da harmonia".

Esforçado, o compositor alemão teve vários empregos em igrejas e nas cortes que serviu na Alemanha. Em 1703, ele conseguiu seu primeiro trabalho, em Arnstadt, onde ocupou o cargo de organista da igreja de St. Boniface. E apesar da pouca idade, Bach já era um mestre em seu ofício e fez transformações musicais que escandalizaram seus superiores. Mas nem por isso mudou seu pensamento. No ano de 1707, casou-se com a sua jovem prima Maria Bárbara e constitui família cedo. Ela lhe deu sete filhos durante os treze anos do casamento, mas durante uma viagem do marido subitamente adoeceu e morreu.

Nessa época, Bach fora nomeado Kapellmeister (mestre de capela) em Cöthen. Sob a proteção do príncipe calvinista Leopold, ele ganhava um alto salário e pôde, sobretudo, dedicar-se à composição de músicas instrumentais. Datam dessa época seus concertos para violino e os seis Concertos de Brandenburgo, feitos sob encomenda para o duque de Brandenburgo. Um ano após a morte de Maria Bárbara, Bach casou-se novamente. Dessa vez, apaixonou-se pela filha de um trompetista da corte, a cantora Anna Magdalena, que se revelou uma companheira adorável. Ele tinha 36 anos e ela 20. Ao todo, o casal teve treze crianças.

Depois de vários anos trabalhando nas cortes alemãs, em 1723, Bach retornou as suas origens e mudou-se para Leipzig, onde assumiu o posto de organista e professor da igreja de São Tomas. Totalmente voltado à obra de Deus, consta que nos primeiros anos passados em Leipzig deixou de produzir música "profana" e passou a escrever exclusivamente concertos religiosos. Seus historiadores contam que, nessa época, Bach compôs uma quantidade prodigiosa de música eclesiástica, entre elas duas de suas maiores obra-primas: Johannespassion (Paixão segundo São João, 1723) e Matthauspassion (Paixão segundo São Mateus, 1729).

O gênio da ciência musical não acumulou riquezas, e trabalhou até os últimos dias de vida para prover o seu sustento e dos entes queridos. Cercado por sua família, Bach morreu completamente cego no dia 28 de julho de 1750. Consta-se que, em seu leito de morte, ele tenha ditado ao genro Altnkiol sua última obra: Senhor, eis-me diante do Teu Trono, que foi executada em seu funeral. Bach está enterrado num sepulcro sem marca na igreja de São Tomas. (Fonte: Folha online)

Abaixo, Cantata 147 de Bach (Jesus Alegria dos Homens)




 Interpretação da Cantata 147 (Jesus Alegria dos Homens pela cantora Sissel, belíssima!)




A Literatura na Semana da Arte Moderna
Os sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
 O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
 Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
 (Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
 Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
 Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
 Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
(Manuel Bandeira in "Estrela da Vida Inteira")

O poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, escrito em 1918, e publicado em 1919.
Foi declamado por Ronald de Carvalho durante a Semana de Arte Moderna de 1922, evento que deu início ao Modernismo na Literatura e nas Artes no Brasil.
Na poesia, Manuel Bandeira joga com as palavras à maneira dos parnasianos, colocando pontos essenciais e características importantes defendidos e cultuados pelos parnasianos, a exemplo da sonoridade e métrica regular. Manuel Bandeira também fez uso de recursos como ironia, sarcasmo e paródia.
Para o crítico literário e escritor Alfredo Bosi, na História Concisa da Literatura Brasileira, a figura do poeta parnasiano, comparado a uma "máquina de fazer versos" no "Manifesto Antropófago" (1928) de Oswald de Andrade, foi ridicularizada e atacada em inúmeros artigos e poemas, como “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, recitado por Ronald de Carvalho na segunda noite da Semana de Arte Moderna.
Em oposição ao rigor gramatical e ao preciosismo linguístico parnasianos, os poetas modernistas valorizaram a incorporação de gírias e de sintaxe irregular, e a aproximação da linguagem oral de vários segmentos da sociedade brasileira.
Bandeira chama de sapos os poetas parnasianos que somente aceitavam a poesia rimada, formal, como os sonetos.
Em “Os Sapos” ele também satirizou as reclamações dos poetas parnasianos e as comparou com o coaxar dos sapos num rio. Cada um desses poetas ele dá uma denominação diferente: sapo-boi, sapo tanoeiro e aos menores chama de saparia. Também mostra algumas das regras que eles seguiam: comer hiatos, nunca rimar cognatos, dar importância à forma.
“Os sapos”, de Manuel Bandeira é composto por 14 quartetos isométricos, em versos de redondilha menor, com um ritmo que varia. Com rimas ricas e pobres, o poema está construído segundo o rigor formal adotado pelo Parnasianismo.
O conteúdo do poema é essencialmente metalinguístico (fala da arte da construção do próprio poema): na fala do sapo-tanoeiro aparece o fazer da poesia, apresenta-se a técnica da arte parnasiana e é possível observar a vitória da forma sobre o conteúdo. Os aspectos formais citados são o ritmo, o horror ao hiato, as rimas consoantes, a beleza formal. As demais estrofes podem ser divididas em duas ideias básicas: participação contraditória e duvidosa no diálogo sobre arte, do sapo-boi e dos sapos-pipas e a isenção do sapo-cururu como participante do diálogo.
Manuel Bandeira também utiliza a personificação, pois são atribuídas aos sapos qualidades e ações próprias do homem: “Berra o sapo-boi:/ Meu pai foi à guerra!” ou “O sapo-tanoeiro, / Parnasiano aguado,/ Diz: - Meu cancioneiro/ é bem martelado” ou “ Urra o sapo-boi:/ -‘Meu pai foi rei”- “Foi!’”.
O poema também é uma metáfora, pois não acontece a personificação de apenas um elemento, mas de todos os elementos que agem no poema, ou seja, os sapos. Eles substituem figurativamente os homens que trabalham com arte, com versos, com poesia, portanto, os poetas. Trata-se do diálogo de vários sapos que representa a classe dos poetas; estes comparados a sapos, cujo coaxar não tem beleza alguma, são automaticamente inferiorizados.
Por se tratar de uma crítica aos parnasianos, o poeta modernista faz uso de formas na composição do poema para atacar o movimento da arte pela arte. Chamar o sapo-tanoeiro de “parnasiano aguado”, com seu “cancioneiro bem martelado”, é dizer que o ritmo marcado do Parnasianismo é como o coaxar do sapo-tanoeiro (ferreiro). Trata-se do desprezo irônico a esse ritmo.
O poeta destaca ainda as virtudes poéticas parnasianas com termos rebuscados “Vede como primo”, seguido de uma expressão grosseira “Em comer hiatos”, com o verbo “comer” em lugar de “suprimir” estendendo a ideia de digerir a uma ocorrência estético-formal. 

A Escultura
Victor Brecheret


 Victor Brecheret nasceu em 1894, em Viterbo, na Itália. Estudou desenho no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, interessando-se logo depois pela escultura de Rodin através de reproduções. Em 1913 transferiu residência para Roma, onde permaneceu por seis anos. Lá estudou com Dazzi, escultor que se destaca pelo gosto por figuras monumentais elaboradas com grande síntese formal.  Em Roma, estuda atentamente as obras de Auguste Rodin (1840-1917) e Emile Antoine Bourdelle, entre outros, e conhece o escultor Ivan Mestrovic (1883-1962). Quando retorna a São Paulo, em 1919, é um escultor com amplo domínio técnico. Improvisa um ateliê em espaço cedido pelo engenheiro Ramos de Azevedo no Palácio das Indústrias. Seus trabalhos são admirados por um grupo de intelectuais ligados ao movimento modernista: Oswald de Andrade, Menotti del Pichia e Mário de Andrade. Pouco depois fixou-se em Paris, onde integrou o grupo dos fundadores do Salão das Tulherias.

                                                               (Imagem do Artista)

Embora residindo em Paris, em 1922 tomou parte, em São Paulo, da Semana de Arte Moderna ao lado de Mário e Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia e outros. Brecheret foi o responsável por uma direção inovadora para a atualização da escultura brasileira em relação aos níveis internacionais contemporâneos, especialmente pela recusa de um academismo, com esculturas estilizadas e de tensão dramática considerável. Sua obra envereda, a partir de 1921, por um caminho cada vez mais moderno, dialogando com informações do cubismo e das vanguardas europeias, sendo inquestionável a sua qualidade estética e formal.

Nos anos 30, também em São Paulo participou das exposições da Sociedade Pró-Arte Moderna e dos salões de Maio (1937 a 1939). Em 1951 foi homenageado na I Bienal de São Paulo com o prêmio de melhor escultor nacional. Na bienal foi ainda homenageado em 1957 com sala especial. Sua obra integra os acervos do Museu de Arte de São Paulo, da Pinacoteca do Estado e do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Realizou ainda, na capital paulista, a medalha comemorativa do Centenário da Independência do Brasil (1920), a escultura Eva (1921) e o Monumento às Bandeiras, este projetado nos anos 20 e realizado posteriormente.
Participa da Semana de Arte Moderna de 1922, expondo vinte esculturas no saguão e nos corredores do Teatro Municipal de São Paulo. A partir daí mantém paralelamente uma carreira na Europa e em seu país. Expõe no Salão dos independentes de Paris e funda a Sociedade Pró Arte Moderna.
As esculturas de Brecheret, impregnadas de modernidade, constituirão uma das bandeiras da Semana, pois Brecheret fora contratado para realizar o Monumento às Bandeiras e ao apresentar às autoridades as maquetes da obra, tivera o trabalho recusado. Anos depois, o monumento seria erigido, tornando-se um símbolo de São Paulo e a escultura pública mais admirada no país.
O caso Brecheret fornece munição à rebeldia estética que germinava na capital paulista. Ou como diria Menotti del Picchia: "Foi sua arte magnífica que abriu os nossos cérebros, (...) criado entre nós uma arte forte, liberta, espontânea."
(Fonte: http://www.pinturabrasileira.com)

(Monumento a Duque de Caxias)

                                                     (Monumento às Bandeiras)


                                                                    (Três Graças)
                                                            (Arte Indígena)

Atividade: 
1 Pesquisa e apresentação oral em grupos sobre os acontecimentos da Arte Moderna quanto à Literatura, Música, Pintura e Escultura.
2 Transforme os acontecimentos da Semana da Arte Moderna no gênero textual notícia.


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